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CASO ARTUR EUGÊNIO » Cremepe julga a cassação de médico

Publicação: 16/04/2018 09:00

O médico Cláudio Amaro Gomes, acusado de ser o mandante do assassinato do também médico Artur Eugênio de Azevedo em maio de 2014, será julgado a nível administrativo pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) nesta quarta, às 9h, na sede da entidade, no Espinheiro, no Recife. Na ocasião, serão analisadas supostas faltas éticas do acusado, o assédio moral e a perseguição a Artur Eugênio durante o exercício da profissão no tempo em que os dois trabalharam juntos. Caso seja condenado pelo Conselho, Cláudio Amaro terá o diploma de médico cassado e jamais poderá exercer novamente a profissão.

O julgamento do Cremepe corre em paralelo e independente ao processo penal na Justiça estadual. A decisão administrativa sobre as questões éticas e profissionais serão analisadas pelos conselheiros da entidade, que serão nomeados amanhã.

“De 21 a 28 conselheiros participam do julgamento. Essa quantidade também será definida na terça. A decisão sobre a cassação do diploma sai na quarta. O acórdão é publicado no Diario Oficial e as partes que se sentirem prejudicadas podem recorrer ao Conselho Federal de Medicina 30 dias após essa publicação”, explicou o presidente do Conselho, André Dubeux. Desde o ano da fundação da entidade, em 1958, cinco casos de cassação do diploma médico foram registrados no Cremepe.

Segundo Dubeux, foi solicitada à Justiça estadual a participação de Cláudio Amaro, que está preso preventivamente no Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima. A denunciante, a médica Carla Rameri Azevedo, esposa de Artur, também será ouvida. Poderá ser a primeira vez, após o assassinato do marido, em que Carla ficará frente a frente com Cláudio.

A juíza Inês Maria de Albuquerque, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão, decidiu em 2015 levar o acusado a júri popular. A defesa do médico entrou com recurso ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, que foi negado. Desde então, três recursos já foram impetrados no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Artur Eugênio foi assassinado em 12 de maio de 2014 e seu corpo foi encontrado na BR-101, no bairro de Comporta, em Jaboatão. O crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro e a vítima. Segundo os autos, Cláudio Amaro foi apontado como mandante do assassinato.