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Época do ano e fase da lua contribuem

Publicação: 16/04/2018 09:00

O incidente de ontem na praia de Piedade aconteceu na mesma região onde foi registrado o primeiro ataque de tubarão das praias urbanas da Região Metropolitana do Recife, no ano de 1992. Na época, o crescimento de casos do tipo fez com que uma série de medidas fosse tomada para a segurança dos banhistas, entre elas a instalação de placas de alerta e a proibição do surfe e de outros esportes aquáticos. Em 2017, não foi registrado oficialmente nenhum ataque de tubarão em Pernambuco. Os trabalhos de educação ambiental foram descontinuados desde 2014.

Com este caso, sobe para 64 o número de vítimas de ataques de tubarão registradas em 26 anos no estado, sendo 32 delas banhistas e 32 surfistas. O último caso de morte por ataque do tipo, registrado na RMR, foi da turista paulista Bruna Gobbi, de 18 anos, em 22 de julho de 2013.

Segundo pesquisadores, nesta época do ano dois fatores agravam a possibilidade de ataque de tubarões na costa do estado. O período chuvoso aumenta a turbidez da água do mar (ficam mais turvas, escuras), dificultando a identificação da presa pelo animal. Ao mesmo tempo, diminui o índice de salinidade da água provocado pelo aumento da precipitação das chuvas e do deságue de águas fluviais no mar. A espécie de tubarão cabeça-chata, uma das mais envolvidas nos ataques registrados no estado, tem grande capacidade de adaptação às águas doces ou de baixa salinidade, chegando a adentrar rios.

Outro fator que contribui para a ocorrência desses incidentes é a maré alta, com as luas nas fases nova e cheia, que facilita a chegada do animal à costa. Nesta semana, a lua está na fase nova e ontem o pico da maré alta foi às 15h45, próximo ao horário em que o banhista Pablo Diego foi atacado.