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Como querer djavanear Cantor e compositor alagoano se apresenta em Pernambuco amanhã, com a turnê comemorativa das quatro décadas de carreira artística

Irlam Rocha
edviver@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 19/05/2017 03:00

Para celebrar as mais de quatro décadas de carreira, Djavan tem circulado pelo país com a turnê Vidas pra contar, que chega a Pernambuco amanhã. A apresentação será às 21h, no Classic Hall (Avenida Agamenon Magalhães, s/n, Olinda). No repertório, canções do novo CD, como Não é um bolero e Encontrar-te, além de sucessos como Outono, Boa noite e Eu te devoro. Ingressos custam R$ 70 e 140 (pista), R$ 1 mil (mesa premium para quatro pessoas), R$ 800 (mesa VIP para quatro), de R$ 1 mil a R$ 1,6 mil (camarote para dez).R$ 70, e estão à venda na bilheteria, nos quiosques da Ticket Folia (shoppings Tacaruna, RioMar e Recife) e nos sites Eventim e Ticket Folia. Informações: 34277501

Entrevista Djavan

É verdade que você quis ser jogador de futebol?

Sempre gostei de futebol e desde criança jogava minhas peladas. Entre os 13 e 15 anos eu fui meio-campista do time juvenil do CSA e achavam que eu tinha algum talento. Mas, aos 16 anos, descobri o violão e me apaixonei pela música. À época, estava morando no Recife, com um primo, fugindo de casa apavorado, porque meus pais queriam me mandar para a Academia das Agulhas Negras, em Resende (RJ). Quando voltei para Maceió, decidido a ser cantor, eles aceitaram a ideia. Aí, com amigos, fundei a banda LSD, que fazia cover dos Beatles, e passamos a tocar em bares.

Quem foi seu padrinho artístico no começo da carreira, no Rio de Janeiro?
João Araújo, pai do Cazuza e diretor da Som Livre, tomou conhecimento de Fato consumado, uma das primeiras músicas que compus no Rio. Ele não só a inscreveu no festival Abertura, em 1975, como se tornou meu tutor. Ele, por exemplo, avalizou o aluguel do apartamento em que passei a morar. A música ficou em segundo lugar no festival e as coisas começaram a acontecer para mim.

Você teve boa acolhida dos companheiros de ofício na primeira fase de sua carreira?

De alguns, sim. O Caetano Veloso, que fez show numa das eliminatórias do festival Abertura, quis conhecer mais do meu trabalho. Alguns artistas consagrados começaram a pedir música. Fiz A ilha, para Roberto Carlos, e Álibi, para Maria Bethânia. Com o Chico, fui a um festival em Cuba e, na volta, compusemos em parceria Alumbramento, nome também do meu terceiro disco. Gravei com ele A rosa, nesse disco.

É com Caetano que você mais dialoga musicalmente?
São muitos os momentos na música em que Caetano e eu estamos juntos. Em Sina, me refiro a ele na frase de um verso ao cantar “como querer caetanear”. Ele também gravou essa música no disco Cores e nomes, e retribui dizendo “como querer djavanear”. Já em Eclipse oculto, ele canta “desperdiçamos os blues de Djavan”, e em Eu te devoro, volto a ele afirmando “noutro plano, te devoraria tal Caetano a Leonardo di Caprio”. Somos parceiros em Linha do Equador (melodia de Djavan e letra de Caetano), que virou um clássico, e Invisível, gravada por Bethânia, mas que não ficou muito conhecida.

A turnê atual é a mais longa das feitas por você?

Estou na estrada desde fevereiro de 2016 e prossigo até julho. Método de trabalho é o seguinte: durante um ano, cuido de criar composições e gravá-las. No outro, depois de lançar o disco, saio em turnê com o show. Mas o Vidas pra contar continua recebendo tantos pedidos para ser visto em cidades onde não foi apresentado e também para voltar a outros lugares onde estive, que decidi continuar fazendo, mesmo já estando com a cabeça em novo projeto.  //