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A genealogia do sucesso na arte Por meio da metalinguagem, espetáculo estrelado pelo ator e cantor Alexandre Nero propõe reflexão sobre o significado de ser bem-sucedido

ISABELLE BARROS
isabelle.barros@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 19/05/2017 03:00

O que é, exatamente, ser bem-sucedido? Para os atores de uma companhia fictícia que aguardam entrar em cena, essa pergunta paira no ar sem resposta satisfatória. Esse grupo de artistas, que reflete sobre sucesso e fracasso com um humor sarcástico, foi unido a partir do desejo do ator e músico Alexandre Nero em voltar ao teatro com uma peça que o agradasse. Unindo ficção e realidade, o texto de Diego Fortes - O grande sucesso - usa uma trama que se passa nos bastidores de peça de teatro para falar sobre o valor dado às conquistas da vida no mundo contemporâneo. O espetáculo cumpre curta temporada no Recife neste fim de semana, no Teatro Boa Vista (Rua Dom Bosco, 55, Boa Vista). Hoje e amanhã, as sessões serão às 21h e, no domingo, às 20h. Ingressos custam R$ 100 e R$ 50 para plateia A, R$ 80 e R$ 40 para plateia B.   Informações: 2129-5960.

 

3 perguntas - ALEXANDRE NERO - ator

 

Qual a importância de se voltar para o teatro nesse momento de sua carreira?
Quando encomendei o texto ao Diego Fortes, queria um espetáculo que falasse exatamente de sucesso e fracasso, mas que não subestimasse o olhar poético do público. Nos reunimos, atores e equipe, por dois meses, e foi muito importante termos tido esse tempo para chegar no formato que a gente queria. Precisava de um espetáculo que realmente me desse muita vontade de fazer e O grande sucesso está me permitindo voltar ao teatro da forma que eu queria, como um artista criador.

Você compôs para o espetáculo e também canta. Sentia falta de integrar essas habilidades no seu trabalho como ator?
Todas essas coisas sempre foram complementares para mim. Eu canto desde sempre, muito antes de ser ator. Na verdade, fui para o teatro para saber me portar no palco como músico. Nunca separei o ator do músico, ou do compositor. Eu entendo um texto como música e a música como um texto. Toda vez que eu atuo estou fazendo música e vice-versa. No espetáculo, somos todos atores e músicos, todos tocam e cantam em cena, ou seja, está tudo interligado.

Como a metalinguagem da peça pode fazer o público refletir sobre aspectos da vida e da arte?
A metalinguagem faz com que as pessoas vejam um espetáculo de teatro dentro de um espetáculo de teatro. O público participa disso, não fisicamente, mas sendo um público ativo, não passivo. Há várias situações nas quais parece que eu estou falando com o público, quando na verdade o personagem está divagando. O contrário também acontece. Essa é a metalinguagem: a gente fala das coisas que estão acontecendo na peça, como se a peça não fosse a nossa. Além de ser uma declaração de amor ao teatro, o espetáculo traça um paralelo com a vida. Nada mais é do que estar pensando sobre a vida, jogando com metáforas.