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Primeiros passos de Luiz Gonzaga Quadrinhos sobre a infância e a juventude do sanfoneiro, disponíveis na internet, é mais uma forma de conhecer o Rei do Baião

Alexandre de Paula
edviver@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 17/07/2017 03:00

A infância e a juventude do Rei do Baião se transformaram em HQ. Disponível online, Luiz Gonzaga do Nascimento apresenta a trajetória do artista desde os tempos de criança, em Exu. O quadrinho é produção do ilustrador Celso Hartkopf e da jornalista Débora Nascimento. “Discutimos as ideias em reunião e Débora elaborou o roteiro baseado em uma biografia de Gonzaga. Daí, ela me passou o texto corrido e eu transformei em HQ. A produção durou dois meses”, conta Celso.

A biografia utilizada para embasar a HQ foi Vida do viajante: A saga de Luiz Gonzaga, de Dominique Dreyfus, jornalista e pesquisadora francesa.

Na HQ, várias curiosidades da infância e da juventude do Rei do Baião são retratadas. Celso e Débora mostram como surgiu o interesse pela sanfona. O pai, Januário, consertava acordeons e isso despertava fascínio no garoto Luiz, que entrava escondido na sala onde o eram guardados os instrumentos.

Outra curiosidade é que Gonzaga se chamaria Januário. O nascimento em 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, fez a ideia ser descartada. A sugestão do novo nome foi de um padre, que propôs chamar o bebê de Luiz Gonzaga (nome de São Luís).

Gonzaga começou a tocar na sanfona do pai. Com 5 anos, já acertava os primeiros acordes. Aos 7, foi colocado para acompanhar a mãe, Santana, no trabalho de roçado. Com o irmão Joca, 9, ia à lavoura, mas mostrou logo que não tinha tanta vocação. O garoto só queria tocar, o que irritava a mãe. “Profissão de sanfoneiro não tinha futuro”, ela dizia.

Celso conta por que o recorte da infância e juventude foi escolhido. “O tom da história mescla as durezas da vida no Sertão nordestino com a descontração e até a pegada épica que a história de Gonzaga tem. De um menino que fugiu de casa e voltou como o Rei do Baião. Decidimos que seria interessante focar a história no início da vida, até a fuga de casa”, explica.

Ele acredita que a maneira como o próprio artista contava histórias facilitou a produção da HQ. “Gonzaga era um ótimo narrador, coisas que podemos ouvir em entrevistas, discos e shows”.

O traço
Para encontrar o estilo das ilustrações da HQ, Hartkopf se inspirou na obra do italiano Sérgio Toppi. Um dos mestres do quadrinho europeu, Toppi tinha um traço muito peculiar. A influência ajudou a dar um tom épico e fantástico à biografia de Luiz Gonzaga. “Eu sempre fui fã de Toppi, e a HQ dele sobre as mil e uma noites, Sharaz-de, me pareceu muito interessante por adaptar uma narrativa clássica a uma HQ de primor visual impecável. Eu me arrisquei a beber nessa fonte e ‘sentar a mão na prancheta’, procurando trazer essa pegada épica e mística para o universo do sertão nordestino”, conta.

Serviço
Luiz Gonzaga do Nascimento. Débora Nascimento e Celso Hartkopk. Continente. 14 páginas. Disponível gratuitamente em goo.gl/pwD5hf.