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De carona no sucesso de Despacito Músico recifense Roger Ricco se lança como cantor de bachata, gênero híbrido de bolero, tango e cha-cha-cha, originário da República Dominicana

Fellipe Torres
fellipe.torres@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 17/07/2017 03:00

Ritmos como salsa, cúmbia e merengue exerceram forte influência sobre a atmosfera musical nordestina dos anos 2000, quando faziam sucesso bandas como Capim Cubano e eram muitas as festas e casas de shows dedicadas a sonoridades latinas. O músico recifense Roger Ricco aposta no surgimento de um novo momento propício a esse tipo de música, sobretudo após a explosão do hit Despacito, de Luis Fonsi e Daddy Yankee (primeira canção em espanhol a alcançar o topo da lista Top 100 da Billboard desde Macarena, em 1996). Com essa expectativa, ele se lança como cantor de bachata, gênero híbrido de bolero, tango e cha-cha-cha originário da República Dominica nos anos 1960.

Para dar um toque brasileiro, Roger investe na fusão do ritmo latino com o pagode, algo presente no recém-lançado single Sigue conmigo, versão do hit dos anos 1980 Fica comigo, da banda Placa Luminosa. A faixa está disponível em plataformas de streaming. “Conversei com músicos dos Estados Unidos, grandes bachateiros, e decidi refazer os arranjos das músicas já gravadas para deixar com uma pegada mais dominicana. Assim, vamos ter condições de entrar no mercado de igual para igual com outros cantores. Ao mesmo tempo, minha música será uma bachata brasileira, combinada ao pagode, parecido com o que faz o Só Pra Contrariar”, revela.

Segundo o cantor, o projeto de ampliar a visibilidade da bachata vem sendo desenvolvido desde 2010 e tem forte ligação com o arrocha, presente no repertório de muitos artistas. Além do disco com músicas do gênero latino, cujo lançamento está previsto para janeiro de 2018, ele trabalha em um CD cantando versões em espanhol de canções da banda Limão com Mel.

Entrevista - Roger Ricco  // cantor

Você tem se empenhado em divulgar a sonoridade dominicana da bachata. Com a explosão do hit Despacito, de Luis Fonsi, fica mais fácil emplacar sucessos latinos?
Sim, com certeza. Essa onda do Despacito trouxe de novo todo aquele fogo que tivemos há uma década com a banda Capim Cubano. É uma grande visibilidade para a música latina. Beneficia não só o lado dele (de Luis Fonsi), mas todo mundo que está tentando fazer um trabalho com canções assim. É um grande momento para a música latina. O brasileiro, em particular, já está acostumado a essa levada do arrocha, de dançar juntinho. Está acostumado também ao merengue eletrônico, ao reggaeton. A própria Anitta está indo muito além do funk. Ao mesmo tempo, a bachata é uma tendência em toda a América Latina.

O momento de visibilidade mundial para a música latina é algo passageiro ou tem potencial para durar?
Não é apenas um boom. Demora mais uns dois ou três anos, até porque a latinidade hoje em dia não se resume a um merengue. Acredito que não vai ser só um momento, como foi na época de Macarena. A música latina se tornou mais pop, vai além daquela estética tropical.

Quais são seus planos para a carreira?
No dia 25 de julho viajo para os Estados Unidos para regravar algumas faixas e fazer a divulgação do single junto ao público latino do sul do país, em Nova York, na Califórnia. Vou me inscrever no Grammy Latino e, na volta para o Brasil, divulgar por aqui.