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Veterana e versátil Aos 95 anos, Bibi Ferreira lança Histórias & canções, registro de espetáculo em que a artista canta e narra ao público diversos episódios de sua trajetória

Nahima Maciel
edviver@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 03/01/2018 03:00

Bibi Ferreira é uma contadora de histórias. Elas podem vir em forma de música, teatro, ópera ou mesmo conversas com o público, quando a artista está no palco, diante de um microfone. Sempre fez isso porque, afinal, aos 95 anos, a filha de Procópio Ferreira tem centenas de histórias para contar. É o que ela faz no projeto Histórias & canções (Biscoito Fino, R$ 49,90 o DVD e R$ 36,90 o CD), cujo repertório passeia pela carreira de Bibi. Não está tudo lá, como ela faz questão de apontar, mas há muita coisa.A cada vez que faz um show, Bibi conta histórias e relembra canções de determinada época da própria vida. Em Histórias & canções, a artista fala da paixão pelo romantismo de Hollywood, pelo showbizz da Broadway, pela ópera, pelo teatro brasileiro e por Edith Piaf. É com a francesa, aliás, que o DVD termina. Piaf foi um marco para Bibi. Com Bibi canta Piaf ela ficou em cartaz por sete anos, entre 1983 e 1990, e recebeu a Comenda da Ordem do Mérito das Artes e das Letras da República Francesa, em 1985. Amália Rodrigues, Carlos Gardel e Frank Sinatra também ganharam musicais na voz da artista. As histórias dos bastidores desses espetáculos estão em 4XBibi, show anterior ao novo DVD.

O maestro Flávio Mendes, com quem a artista trabalha há anos, comanda a orquestra, e o empresário da artista, Nilson Raman, é o mestre de cerimônia. É com eles que costuma escolher os repertórios dos shows. “Nos reunimos, eles me propõem músicas, histórias a serem contadas. Dou minha opinião, faço sugestões. Eles pesquisam mais. Nos reunimos de novo. Escutamos mais músicas. E assim vai. Quando percebemos, temos um novo espetáculo nas mãos”, conta.
 
3 perguntas - Bibi Ferreira // cantora
 
O DVD começa com Malandragem (Cazuza e Frejat) e termina com Piaf. A modernidade foi importante em sua carreira? É importante ser eclético?

Posso ter idade, mas não sou antiga. Leio muito. Vejo as coisas. E gosto de fazer várias coisas. O importante não é ser eclética, mas fazer bem tudo que você se propõe. Um artista especializado em Shakespeare, por exemplo, pode passar a vida toda interpretando Shakespeare, mas não deixar de ser maravilhoso.

É difícil manter a versatilidade?

A música me encanta. Uma grande canção me emociona. E acho que a versatilidade vem quando você está pensando num novo espetáculo e pensa o que gostaria de apresentar para o público. A vontade de sempre surpreendê-lo. Aquelas canções que me permitem boas notas. Nada como um grande agudo para o público gostar...

No DVD, você diz que não se faz mais samba de breque. Por que acha que isso acontece? Você gosta da música que é feita hoje?
Por que não se faz eu não sei, tanto que falo no DVD. Mas que é muito bom, isso é. Uma delícia cantar um samba de breque. Tem um gingado especial para cantar. Sobre a música atual, acho nossos artistas muito talentosos. Temos muitas coisas boas acontecendo por aí. Meu gosto é mais tradicional. Não ouço funk ou axé. O pagode tem seu charme, mas também não sou de escutar.