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PERFIL » Tatá curte o melhor momento da carreira "Eu era uma menina na escola fora dos padrões e conquistei tudo o que eu queria com o meu trabalho", Tatá Werneck, atriz

Fernanda Guerra
fernanda.guerra@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/01/2018 03:00

Rio de Janeiro – Nos últimos cinco anos, a carreira de Tatá Werneck, de 34 anos, decolou como atriz, apresentadora e humorista. Ela saiu da MTV em 2012 e logo foi contratada pela Globo. Em 2017, foi consagrada como Melhor Apresentadora no prêmio da APCA pelo trabalho no talk show Lady night (Multishow). Como atriz, a estreia na Globo foi em Amor à vida (2013), de Walcyr Carrasco, na pele da cômica Valdirene. Atuou em I love Paraisópolis (2015) e Haja coração (2016). Deus salve o rei, atual trama das 19h, é a quarta da trajetória e mais uma com a veia do humor. Ela vive Lucrécia, que envia um autorretrato modificado para o futuro rei Rodolfo (Johnny Massaro). “Faz um ‘photoshop medieval’”, compara.

Para a personagem, a atriz tomou como referência as múltiplas performances da canadense Tatiana Maslany na série Orphan black (disponível na Netflix). Além da assiduidade em novelas da emissora, Tatá se consolidou como apresentadora do Multishow. Além do Lady night, também apresentou o Tudo pela audiência ao lado de Fabio Porchat.

Entrevista // Tatá Werneck

Lucrécia não parece satisfeita com a aparência. Como você lida com sua aparência?
Acho que todos os seres humanos já se acharam feios e bonitos em algum momento da vida. Todas as mulheres se olham e se acham lindas e, às vezes, falam: “meu Deus, o que aconteceu?”. Em cena, eu não tenho nenhum tipo de vaidade. Qualquer coisa que possa propor para um trabalho meu, como “você é a mais feia do reino”, eu não tenho nenhuma vaidade. Se um dia eu priorizar a minha vaidade como ser humano à frente da personagem, pretendo não continuar. Nada é mais importante que as cenas, que meu trabalho. Não dá pra fazer humor desse jeito.

Você é a favor do uso do Photoshop nas redes sociais, por exemplo?
Eu nunca fiz retoque no Instagram. Eu não sei fazer isso. Eu não tenho WiFi na minha casa. Eu não sei mexer, não sei fazer isso. Mas acho que a gente está no momento bonito de mostrar nossos defeitos, celulites. Isso é tão lindo. A gente vê Laura Cardoso e Fernanda Montenegro no ar, e a gente fala: que lindo! Na revista, eu até gosto, mas quero que falem que foi feito. Para que vamos incentivar uma realidade que não é verdade para ninguém?

Na carreira, como você se sente?
Eu me sinto feliz agora. Eu trabalho com o que amo. Eu era uma menina na escola fora dos padrões e conquistei tudo o que eu queria com o meu trabalho. Eu fiz campanha de cabelo. Sem mudar nada da minha personalidade.

Lucrécia é ninfomaníaca?
Lucrécia ama o marido, mas se sente atraída por outras pessoas. Ela se martiriza, ela jejua. Ela se pune por isso. É uma dor. Ela faz o que fazem com uma mulher que trai. O homem que trai, as pessoas falam: ‘ele é homem’. Julgam a mulher que trai e não julgam o homem. Te educam desde cedo a entender que homens podem fazer isso. E mulheres não.

Por que se inspirou em Orphan black?
Lucrécia é quatro pessoas ao mesmo tempo. E Tatiana Maslany interpreta mais de seis. Também me inspirei em Vikings. A Lucrécia tem uma dor muito grande, porque ela é bipolar, filha de mãe bipolar. Ela é uma mulher que se casa com o rei, mas não consegue se manter fiel.