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Uma revisão da própria trilha artística Orun Santana revisita danças afro e populares sob olhar contemporâneo no Janeiro de Grandes Espetáculos

ISABELLE BARROS
isabelle.barros@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/01/2018 03:00

O bailarino Orun Santana, filho do Gilson Santana, conhecido como Mestre Meia-Noite, fez a mesma escolha de muita gente: seguiu os passos do pai. Ele se tornou herdeiro natural de um capoeirista renomado, ex-integrante do Balé Popular do Recife e fundador do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, referência de arte e cultura popular em Chão de Estrelas, Zona Norte do Recife. Mas, para Orun, chegou a hora de fazer uma revisão da própria história, trazendo as referências de uma vida inteira à luz da dança de hoje. Esta é a essência do espetáculo Meia-noite, solo que é a primeira das sete estreias locais previstas no Janeiro de Grandes Espetáculos. São duas sessões: neste sábado, às 19h, e domingo, às 20h, no Teatro Marco Camarotti, em Santo Amaro.

A montagem começou como uma coreografia de 15 minutos, pulando para um processo de meia hora até chegar na produção de quase uma hora que será apresentada neste fim de semana. “O início de tudo foram as questões com relação a meu pai e me levaram a vários lugares. A comparação sempre existe e no começo isso era um problema para mim. Tive a ideia de fazer uma ‘reperformance’ de um solo dele em um espetáculo do Balé Popular do Recife, partindo do meu corpo e da relação dele com o que meu pai faz. Isso me motivou a construir artisticamente as cenas a partir dos movimentos da capoeira”, detalha.

A vivência imersiva nas danças afro e populares desde a infância foram adicionadas à formação universitária de Orun no curso de dança da Universidade Federal de Pernambuco. As reflexões trazidas por esse processo também fazem parte da obra. “O espetáculo é, de certa forma, uma homenagem, mas também é um questionamento de mim mesmo. Mostro ao público uma prática popular, tradicional, mas partindo de um pensamento contemporâneo, além da tradição. Procuro o que me cabe, partindo de meus referenciais”, completa.

MÚSICA
Para quem gosta de música, são três as opções do fim de semana. No projeto Frank & Ella, de Arthur Philipe e Cláudia Beija em homenagem a Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, no Teatro de Santa Isabel, a dupla vai cantar os sucessos dos ícones norte-americanos e contar curiosidades da vida e carreira de ambos em única sessão às 20h deste sábado. No Teatro Luiz Mendonça, localizado no Parque Dona Lindu, a união de nove cantoras pernambucanas é a tônica do projeto A dita curva, com show também às 20h deste sábado. Em solos, duos, quartetos e grupo completo, Aishá Lourenço, Flaira Ferro, Isaar, Isabela Moraes, Isadora Melo, Sofia Freire, Luna Vitrolira, Laís de Assis e Paula Bujes vão mostrar um pouco do trabalho de cada uma. No domingo, às 16h, o Teatro de Santa Isabel sedia o Encontro da velha e nova geração de viola, com duplas de repentistas.

TEATRO PARA INFÂNCIA

Domingo é o dia no qual começam as atrações voltadas para a infância e juventude. Na grade oficial, são três espetáculos para esse público, marcados para este domingo: A Bela e a Fera, no Teatro Boa Vista, às 10h, Do vestido ao nariz, da Cia. 2 em Cena, às 16h30, no Teatro Hermilo Borba Filho, e Vento forte para água e sabão, da Cia. Fiandeiros de Teatro, no mesmo horário, no Teatro Barreto Júnior. Na programação paralela, o projeto Mergulho cultural, sediado no Teatro Paulo Freire, em Paulista, apresenta duas peças voltadas para crianças, sempre às 16h. Neste sábado, é a vez de Seu rei mandou, da Cia. Meias Palavras, e no domingo a casa de espetáculos recebe Os músicos de Bremen: Saltimbancos.