VIVER

Para ler antes de assistir O ano de 2018 promete fartura quando o assunto são adaptações para o cinema de best sellers, muitos deles já traduzidos para o português

Nahima Maciel
edviver@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 10/02/2018 03:00

Hollywood já foi acusada de crise de criatividade por encher as salas com adaptações de livros, remakes, spin off e sequências intermináveis. Roteiros originais fazem falta, mas adaptações de livros são sempre curiosas. Há quem seja fatalista ao cravar que nunca a versão faz jus ao livro, e se for questão de linguagem, a afirmação é óbvia. Um longa de duas horas no qual o foco é a imagem dificilmente vai satisfazer a parte do cérebro que imagina, durante um mês de leitura, uma história cheia de detalhes. Se o espectador tiver em mente essa diferença básica de linguagem, fica mais fácil curtir a adaptação de um livro particularmente apreciado. E, neste ano, haverá muitas nas salas de cinema. O Viver listou os livros disponíveis em traduções para o português e cujas adaptações estão na mira dos espectadores. Uma dica: vale ler antes de ver o filme, assim não se contamina a imaginação dos personagens, paisagens e situações com a proposta visual dos diretores. Em alguns casos, a surpresa pode ser contrária e o filme ser melhor que o livro.

Submersão
Esse pode ser um caso de longa melhor que o livro. Com lançamento previsto para abril, o filme é dirigido por Wim Wenders e terá Alicia Vikander e James McAvoy como protagonistas. Danielle (Alicia) é uma exploradora do oceano que descobre novo desafio: uma terrível descida ao abismo ártico. James (McAvoy) é um empreiteiro acusado de ser espião e interrogado por jihadistas africanos que irá se unir à moça para ajudá-la em sua missão. O problema não é a história em si, mas a maneira como é contada. Submersão é livro de consumo rápido e pouca elaboração narrativa.

A grande jogada
Molly Bloom teve sorte em Hollywood. Recebeu oferta de emprego de garçonete e logo se tornou “rainha do pôquer”. Gente como Leonardo di Caprio e Ben Affleck passaram pelos quartos nos quais as rodadas de jogo eram promovidas antes de Molly ser presa, em 2013, pelo FBI. No filme de Aaron Sorkin, previsto para estrear em 22 de fevereiro, Molly é vivida por Jessica Chastain. No livro, escrito em primeira pessoa, ela é uma narradora habilidosa. O relato se assemelha a um bom livro de entretenimento sobre extravagâncias, glamour e crimes.

A forma da água
O longa já está em cartaz e concorre ao Oscar de Melhor Filme, Direção, Atriz e Ator Coadjuvante. É dirigido por Guillermo del Toro, que também escreveu o livro, no qual aprofunda um pouco mais a história dessa estranha criatura, meio homem meio peixe, responsável por provocar a paixão de uma faxineira do complexo militar no qual está confinada. O universo de terror e ficção científica levou del Toro para a escrita. Como era de se esperar, a narrativa do diretor é bastante cinematográfica e, no caso de A forma da água, mergulha com habilidade no universo fantástico.

Todo dia

Autor queridinho dos adolescentes, David Levithan escreveu o livro pensando em falar sobre questões de gênero. Criou o personagem A., uma entidade que, diariamente, acorda em um corpo diferente. Um dia, A. assume o papel de Justin, o namorado violento de Rhiannon, e se apaixona pela moça. O filme com direção de Michael Sucsy tem estreia prevista para fevereiro, nos EUA, e ainda não tem previsão de chegada ao Brasil, mas promete ser um blockbuster adolescente. Levithan é lembrado por gostar de escrever com transparência e objetividade sobre temáticas LGBT.

Cadê você Bernadette?
Bernadette é uma mãe superprotetora que abdicou de sua carreira para seguir o destino do marido e da filha. Mas ela começa a ficar entediada com o mundinho normal de Seattle, para onde se muda depois de passar anos em Los Angeles. A personagem decide, então, sumir de maneira criativa e complexa. É boa literatura, manejada com habilidade de roteirista de Maria Semple (Barrados no baile). O filme deve fazer justiça ao texto, já que tem direção de Richard Linklater (Boyhood).  No elenco, estão Cate Blanchet e Billy Crudup. A estreia está prevista para maio.

Marighella
A estreia de Wagner Moura na direção vem com a adaptação da biografia escrita por Mario Magalhães. O livro traz a história do maior inimigo da ditadura e um dos idealizadores da guerrilha contra o regime no Brasil. Conhecido por comandar assaltos a banco com o intuito de arrecadar o dinheiro para a resistência e por várias passagens pela prisão, Marighella foi deputado e poeta. O livro cobre um período entre 1930 e 1960 e levou mais de duas décadas para ficar pronto. Nas telas, Marighella será vivido por Seu Jorge e o longa deve ser lançado em setembro.

A garota na teia de aranha
David Lagercrantz deu continuidade à saga iniciada por Stieg Larsson e sua personagem Lisbeth na série Millenium. Morto em 2004, Larsson se tornou fenômeno da literatura policial nórdica ao lançar Os homens que não amavam as mulheres, em 2008, primeiro livro de uma trilogia que tem Lisbeth no papel principal. O romance fez sucesso e foi adaptado para o cinema em 2012 com Rooney Mara e Daniel Craig como protagonistas. Em outubro, é a vez da continuação idealizada por Lagercrantz. Dessa vez, o longa será estrelado por Fede Alvarez, Steven Knight e Jay Basu.

O ódio que você semeia

Embalada pelos eventos que levaram a centenas de protestos nos Estados Unidso após o assassinato de jovens negros por policiais e pelo movimento Black Lives Matter, a atriz Angie Thomas escreveu este livro sobre uma menina negra, Starr, que testemunha a morte de dois amigos. A menina é filha de um ex-traficante e simpatizante dos Panteras Negras. Mora em uma periferia na qual violência e desigualdade geram o ódio e a opressão. O livro, escrito para jovens leitores, está sendo adaptado para o cinema pela Fox. Amandla Stenberg, de Jogos vorazes, será a protagonista.