Aqui me tens de regresso Obras da artista Tarsila do Amaral, expoente do modernismo brasileiro, são exibidas no Recife, cidade por onde ela passou e pintou nos anos 1920

ISABELLE BARROS
isabelle.barros@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 14/03/2018 03:00

A artista Tarsila do Amaral (1886-1973), um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, tem um reconhecimento sobre a produção que não se reflete no acesso a seus trabalhos em museus brasileiros. A maioria das obras está em poder de colecionadores e Abaporu, tela mais emblemática, faz parte do acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba). Outro exemplo é a mostra da modernista em andamento no MoMA (Nova York), que amplifica a importância na arte do século 20. Um olhar intimista sobre Tarsila do Amaral, aberta hoje na loja de decoração Florense, em Boa Viagem, traz um panorama mais pessoal da pintora, com objetos particulares, estudos de quadros e produtos nos quais o trabalho está estampado.

Entre os 30 itens, estão 12 obras, incluindo desenhos, gravuras, escultura original e  estudo em água-forte sobre papel do Abaporu, e mais 18 itens como fotografias, cartões-postais, agenda e cartas. “O recorte da coleção da família visa levar o nome da Tarsila para o maior número possível de pessoas, não necessariamente dentro de espaços expográficos. Temos, por exemplo, cartas entre ela e Oswald de Andrade, o binóculo que usava para ir a recitais e corridas de cavalos, além de mesinha de latão e madeira comprada por ela no Oriente Médio”, enumera o curador, Beto Cocenza, criador do BOOMSPDESIGN.

A exposição, feita para comemorar os 60 anos da Florense no Brasil e 30 no Recife, também tem o olhar de Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da artista e detentora, em nome da família, dos direitos sobre a obra da parente. Ela divide a curadoria com Cocenza e, além dos itens pessoais e dos estudos feitos por Tarsila, ambos decidiram incluir amostra da influência dela na moda e na decoração. Assim, a mostra abre espaço para exibir exemplares de roupas de coleção feita pela Osklen no ano passado com estampas em tributo a Tarsila, além de tapetes vendidos pela marca Kamy que reproduzem obras da artista. “É interessante trazer a mostra ao Recife também porque ela já passou pela cidade nos anos 1920 e chegou a fazer desenhos na capital pernambucana”, pontua a cocuradora.

Dada a importância para a arte brasileira, Tarsila está no seleto grupo que ganhou levantamento completo de toda a obra, compilado em catálogo raisonné. Segundo a sobrinha-neta, mesmo a atenção à obra muitas vezes não se traduziu, em vida, em harmonia familiar. “Ela tinha mentalidade avançada para a época e alguns irmãos não aceitavam bem. Eu tinha oito anos quando ela faleceu, e meu pai cuidou dos negócios de Tarsila, então tanto eu como ele tínhamos mais proximidade. Lembro de ver as obras na casa dela.  A nossa ideia é fazer com que mais pessoas se aproximem dessa experiência”.

Serviço

Exposição Um olhar intimista sobre Tarsila do Amaral
Abertura: hoje, a partir das 19h
Onde: Florense Recife (Avenida Domingos Ferreira, 4264, Boa Viagem)
Visitação: segunda a sexta, das 9h às 19h; sábado, das 9h às 13h
Entrada gratuita
Informações: 3302-3800