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Alternativa para entrar no mercado Divididos em 13 áreas, os cursos técnicos ganham espaço e chamam mais atenção dos brasileiros que buscam um foco maior na parte prática

GABRIELA ARAÚJO
especial para o Diario
gabriela.araujo@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 21/08/2016 03:00

Hoje fazendo graduação, Tiago teve vantagem em uma seleção por causa do curso profissionalizante que tinha (Roberto Ramos/DP - 14/06/16)
Hoje fazendo graduação, Tiago teve vantagem em uma seleção por causa do curso profissionalizante que tinha
Conhecidos por terem um maior foco na parte prática, os cursos técnicos vêm cada vez mais ganhando espaço e chamando a atenção dos brasileiros. Eles são programas de nível médio que podem ser feitos logo após o término do ensino médio ou até substituir essa etapa. Por apresentarem menor duração, são vistos como uma alternativa mais real de entrada ou reinserção imediata no mercado de trabalho.

“Há coisas que só os técnicos sabem fazer, como há outras que só os que têm graduação superior conseguem”, lembra Djaíra Leitão, diretora de desenvolvimento educacional do Senac- PE. Os cursos técnicos são guiados a partir de uma legislação, o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, desenvolvido pelo MEC, mas, apesar disso, não há um tempo específico de duração da capacitação. De acordo com Djaíra, isso varia de acordo com o curso, mas geralmente o tempo médio é de um ano a um ano e meio. Eles podem ser encontrados em instituições do Sistema S, como Senai e Senac, institutos federais de educação e também em escolas técnicas.

No Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, são encontradas várias opções de cursos, que podem ser divididas em 13 áreas: ambiente e saúde; controle e processos industriais; desenvolvimento educacional e social; gestão e negócios; informação e comunicação; infraestrutura; militar; produção alimentícia; produção cultural e design; produção industrial; recursos naturais; segurança e turismo, hospitalidade e lazer.

Buscando a capacitação, as pessoas escolhem o curso que mais se assemelha às suas preferências, e investem. O técnico em rede de computadores Tiago da Silva Carvalho, 30, por exemplo, fez um curso profissionalizante na sua área em 2010, que durou três meses. Após isso, ele optou por fazer um curso técnico. Achou que os conhecimentos do primeiro não tinham sido suficientes e resolveu aprimorá-los. Além disso, a opinião alheia também influenciou. “Disseram que eu teria mais garantia de conseguir emprego”, conta. Outro motivo foi a preferência dele pela parte prática da área.

Para pagar o curso no Senac, Tiago juntou dinheiro de um emprego que exerceu em uma empresa. Um tempo depois de estar matriculado, abriu uma seleção no próprio Senac para monitor de informática e instrutor do Pronatec. Ele passou nas duas, mas foi chamado primeiro para a de monitoria. “Na seleção, levaram em conta o curso profissionalizante que eu já tinha”, conta. De acordo com ele, a experiência foi ótima por ter conseguido vivenciar de fato a parte prática que tinha no curso.

Depois da experiência do técnico, Tiago da Silva resolveu se arriscar em uma graduação superior. “Resolvi me aprimorar mais uma vez porque quero ensinar”, comenta. Ele está fazendo curso superior também em rede de computadores e conta que lá aprende mais a parte prática. Na nova capacitação, já conseguiu um estágio pelo IEL. Segundo ele, ainda há muitas pessoas que consideram o curso técnico desnecessário na formação. Mas diz que não se arrepende. “São experiências diferentes. Muita coisa que aprendi no técnico não estou aprendendo no superior e vice-versa.”

Segundo Djaíra Leitão, investir nos cursos técnicos é uma boa opção para quem está fora do mercado de trabalho e precisa se qualificar. “Estudar é sempre uma vantagem.” Depois de concluído, realizar uma graduação na mesma área pode garantir destaque, como Tiago fez. Tendo as duas qualificações e não apenas uma, fica mais fácil se destacar diante a competitividade atual do mercado.