Ciência e Saúde

A vez do nascido para bailar Ex-lutador de jiu-jítsu, Adriano Adix veio de São Paulo para o Recife e começou dando aulas de dança em um espaço improvisado. Hoje é disputado por academias de ginástica

Publicação: 05/08/2017 03:00

As academias que investiram no profissional de dança colhem resultados positivos. Adriano Adix é um exemplo de realização profissional conquistada com muita força de vontade e procura por um diferencial. Paulista, ele não tinha o propósito de ser dançarino, muito menos professor. “Eu lutava jiu-jítsu ainda em São Paulo, mas por conta da falta de patrocínios eu não consegui levar adiante, me interessei pela dança e, a partir disso, fui começar a dar aulas a pedido de amigos”, conta. Já no primeiro dia, em um espaço próprio e improvisado em sua casa, contou com cerca de 60 pessoas. “Eu me assustei, não esperava, mas deu certo”, afirma.

Quando chegou ao Recife, em 2012, viu que não seria fácil conquistar público para as aulas e muito menos emprego. Depois de um ano sem trabalhar, uma academia próxima à sua casa decidiu apostar nas aulas de dança e convidou Adriano para ministrá-las. “Eu vi que o Recife ainda não tinha essa tendência como São Paulo, então essa academia meio que pagou pra ver, por isso no início eu ganhava o que eles me ofereciam, arrisquei e fui”. A partir disso, Adix, como é mais conhecido, foi conquistando seu espaço e ampliando o seu número de aulas.

“Inicialmente quem mais reconhecia o meu trabalho eram os meus alunos, muitos falavam que as minhas aulas mudavam a rotina e davam alegria ao dia a dia deles ”, explica Adriano. Quatro anos depois, ele se consolidou. “A dança mudou e eu consegui colocar um diferencial dentro disso, principalmente com o aumento das danças coreografadas, que invadiram a internet e lotaram as academias”, afirma. Hoje ele ganha em média 50% a mais do que recebia quando começou a ministrar essas aulas. “O momento agora é outro, ao invés das academias oferecerem um preço, hoje sou eu quem estipula o valor”.

Adriano se reveza em nove unidades da Hi e Yes Fit ministrando, em média, 60 aulas por mês. “Além dos aulões dos finais de semana com temáticas diferentes, a minha rotina dobrou, principalmente pelo número de pessoas que começaram a ir as academias por conta da dança”, conta. A crise não foi sentida, principalmente porque, segundo ele, o profissional de dança começou a ser mais valorizado e as aulas começaram a ganhar mais espaço depois da febre que virou as danças coreografadas.

E foi aproveitando essa onda de coreografias em vídeos para internet que Adriano junto a alguns amigos criaram um canal de dança genuinamente pernambucano, a Go Dance. “Em um ano de criação temos em média 100 mil visualizações, e muitos dos meus alunos assistem justamente para chegar na academia com a coreografia na ponta do pé”, afirma. Segundo ele, outro fator interessante é a diversidade de músicas, principalmente locais. “Aqui o brega funk é muito forte, então eu tive que aprender e saber como passar isso para os meus alunos, o que realmente foi um aprendizado cultural”.

Zumba: com a força de uma veterana


Entre outras atividades de dança, quem ainda vem se destacando é a zumba. Espelhado em ritmos latinos, como a salsa, merengue e reggaeton, o exercício é mais antigo que as aulas de danças coreografadas, sendo criado na década de 1990 pelo colombiano Alberto (Beto) Perez, e se popularizando nos anos 2000. O estilo de “dança-fit”, em que o professor conduz os movimentos seguido pelos seus alunos, vem tendo uma demanda crescente junto às outras atividades nas academias.

“Em um período no qual esses estabelecimentos estão investindo cada vez mais nessas aulas, a demanda aumentou cerca de 60%”, afirmou o professor Thiago Sousa, que dá aulas de zumba há três anos em unidades da HI e Yes Fit.

Segundo ele, a atividade demanda muito mais condicionamento físico do aluno, principalmente por se tratar de um treinamento mais forte. “Não é simplesmente só uma dança, ela trabalha várias partes do corpo além da questão respiratória”, explicou.

Bom para o corpo, melhor para a mente


Se antes o investimento nessas aulas era só a dança, hoje o objetivo é a busca por uma melhor na saúde física e, principalmente, mental. Segundo professor Adriano Adix, muitos alunos sofrem ou já sofreram algum tipo de depressão ou dificuldades de socialização e encontraram na dança uma saída. “Muitos chegam nas aulas com algum problema pessoal ou de saúde e, depois da atividade, já notam uma diferença significativa pela questão do bem-estar social que a dança traz”.

Para a estudante Bruna de Oliveira, 20 anos, o retorno de um investimento em aulas de dança é positivo por conta dos benefícios adquiridos no seu dia a dia. “Eu consigo ter um sono muito melhor, acordar mais disposta, além de uma melhora no meu psicológico. Para mim, então, é uma atividade que vale cada centavo”, afirma.

Já a dentista Juliana Santos, 39 anos, explica que o ganho foi além do físico. “A dança contribuiu para que eu me sentisse amada, alegre, vi que tudo na minha vida anda fluindo de uma forma mais leve, em casa e no trabalho, e os profissionais de dança são essenciais dentro disso, eles trazem a dança com o coração no pé.”

De acordo com a psicóloga Maria Auxiliadora, exercícios como a dança despertam prazer que beneficia a vida de qualquer pessoa. “O bem-estar físico anda junto ao pessoal. A partir do momento em que a pessoa começa a se sentir bem com o seu corpo, ela se sente bem com a sua mente. A dança provoca essa liberdade, favorecendo essa autoestima”, pontua.

As dez músicas mais tocadas em aulas de dança nas academias do Recife
  • PARADINHA - Anitta
  • K.O. - Pabllo Vittar
  • DECRETO LIBERADO - Wesley Safadão
  • DESPACITO - Luis Fonsi feat. Daddy Yankee
  • APAGA A LUZ E TOMA - Léo Santana
  • OLHA A EXPLOSÃO - MC Kevinho
  • SUA CARA - Major Lazer feat. Anitta e Pablo Vittar
  • VAI DAR PT - Léo Santana
  • PARALISOU - Márcia Fellipe part. MC Tocha
  • BUM BUM TAM TAM - MC Fioti
Gastos calóricos  60 minutos

Zumba
Aula de dança voltada à maior aplicação dos movimentos do corpo
Músicas: Reggaeton, salsa, axé e pop
Em torno de 300 a 500 kcal

Dança de salão
Aula que aborda os variados estilos de dança de baile, com ou sem par, de forma agradável, socializando e aliviando o estresse
Músicas: Gafieira, MPB, Samba
Em torno de 200 a 300 kcal

Dança do ventre
Técnica de dança baseada nos ensinamentos indianos, que gradativamente evolui a complexidade dos movimentos, enfatizando o fortalecimento da região lombar, bem como a região pélvica e quadris, glúteos e coxas
Músicas: Próprias para dança
Em torno de 200 a 300 kcal

Ritmos diversos
Aula de dança com vários ritmos musicais com danças coreografadas
Músicas: Axé, forró, sertanejo, funk, brega-funk, pop e reggaeton
Em torno de 300 a 450 kcal

JUMP
Treino desenvolvido que utiliza jumps (plataforma do tipo cama elástica) em diferentes desafios a cada música, muito eficiente para fortalecer suas pernas e treinar seu equilíbrio.
Músicas: Com ritmos mais acelerados, sem especificação.
Em torno de 350 a 500 kcal

Musculação
Treinamento muscular que conta com equipamentos da academia
Em torno de 300 a 350 kcal

Valores calóricos irão de acordo com o biotipo de cada pessoa (importante um acompanhamento profissional)
Informações de Adilson Silva, professor mestrando de Educação Fisica pela UFPE
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