Ciência e Saúde

Entrevista // Mariana Bahia Doula e consultora de amamentação

Publicação: 12/05/2018 03:00

Qual é a importância do protagonismo feminino em um parto humanizado?
Sem o  protagonismo da mulher não podemos falar em humanização do parto. É ela quem deve ditar as regras sobre o próprio corpo. Claro que sempre respeitando as melhores evidências científicas. Quem deve dizer como deve ser o parto é a mulher, não a equipe técnica. É ela quem vai parir, quem vai passar por todo processo, quem vai sentir as dores. Então, é a gestante quem deve dizer em que posição quer parir, quem serão os seus acompanhantes, o que ela quer comer durante o parto, quais são os procedimentos que ela autoriza ou não. Ela tem o direito de se negar a passar por um procedimento cirúrgico, desnecessário na maioria dos casos. O parto é dela e de mais ninguém.

Por que esse protagonismo foi negligenciado ao longo de séculos?
Quando o parto migrou da casa para o hospital, começamos a ter um atendimento bastante intervencionista. A figura central deixou de ser a mulher e passou a ser o médico. Obviamente, muitas foram salvas, já que antigamente morria-se bastante quando não se tinha acesso a uma cesariana, por exemplo. No entanto, a equipe técnica começou a usar de intervenções completamente desnecessárias, e o parto passou a ser visto como um grande sofrimento. A gestante não pode mais optar pela posição vertical e tinha que parir deitada, por exemplo. Outra intervenção que também se difundiu bastante foi a episiotomia (corte no períneo), e muitas passaram (e passam até hoje) anos sofrendo para retomar a sua vida sexual.

Como estão Pernambuco e o Brasil na discussão sobre parto humanizado?
Desde o lançamento do filme o Renascimento do Parto, o debate sobre parto humanizado cresceu bastante no Brasil. Muitas mulheres que não tinham informação começaram a buscar um parto respeitoso. É como se aquele filme tirasse um véu do nosso rosto e nos mostrasse uma perspectiva absolutamente diferente de tudo que crescemos ouvindo sobre parto. Em Pernambuco também. O Recife já é considerado um oásis de humanização do parto. É uma das capitais do Brasil que mais têm equipes humanizadas, e um hospital de referência nacional: o Hospital da Mulher do Recife. Aqui, também existem muitas rodas de gestante e puerpério. E muitas doulas também.

Qual é o papel e a importância da doula?

Doula é uma profissional que dá suporte físico e emocional no pré-parto, durante o trabalho de parto e no pós-parto. Nós ajudamos a tornar todo esse processo de gestar, parir e amamentar mais leve, cercando a mulher de informações atualizadas e de qualidade. Durante o pré-parto, conversamos sobre fisiologia de gestação e parto.