Comportamento

A experiência como o maior exemplo Psicóloga Sarah Cadosh voltou ao consultório para ajudar quem ainda precisa superar a barreira da obesidade na vida

Publicação: 12/08/2017 09:00

Antes fazer a cirurgia bariátrica e mudar radicalmente seu estilo de vida, a psicóloga Sarah Cadosh, que também é maquiadora profissional, mantinha um blog de beleza. Após a cirurgia sentiu a necessidade de compartilhar sua experiência com outras pessoas que enfrentavam problema de obesidade. Decidiu ampliar a divulgação da nova rotina por meio das redes sociais e fez um perfil extra no Instagram. De lá para cá, não parou mais. Passou a dar dicas de como sair do sedentarismo, falar sobre dieta e os treinos diários para manter a boa forma.

As mudanças na vida de Sarah não pararam. A psicóloga sentiu a necessidade de voltar ao consultório para ajudar outras pessoas, a partir de sua própria experiência como ex-obesa. “Há pessoas que pensam que cirurgia bariátrica é milagre, que vai sair do bloco cirúrgico e não vai engordar mais. A mudança de vida é grande. Você vai abrir mão de muitas coisas. Se não trabalhar seu psicológico, voltará a engordar novamente”, alertou.

Sarah atende como psicóloga de clínica geral, mas pretende trabalhar com pacientes pré e pós-bariátrica e na preparação de atletas. “É muito gratificante saber que as pessoas iniciaram o treino inspiradas na minha atividade física. Algumas dizem que estavam com preguiça, mas ao me verem indo para o treino se motivaram”, contou.

Dentre as suas seguidoras na internet, Sarah fala com orgulho de Laura Barlavento, que perdeu mais de 40 quilos inspirada na sua disciplina de treinos e reeducação alimentar. “Ela pensava em fazer cirurgia e passou a me acompanhar nas redes sociais. Depois Laurinha chegou para mim e disse que decidiu não fazer a bariátrica, mas inspirada em mim estava na academia e fazendo dieta. Ela perdeu mais de 40 quilos e está muito bem. Isso me deixa muito feliz, principalmente por ela ter conseguido emagrecer sem cirurgia. Sou grata à minha cirurgia, mas fico satisfeita por alguém tão jovem ter conseguido também”, comentou Sarah.

Entrevista

Tarcio Carvalho // médico psiquiatra

O médico psiquiatra Tarcio Carvalho alerta sobre o limiar entre manter uma vida saudável e o exagero na prática de atividade física que pode levar a outras doenças. “Na vigorexia, a pessoa começa a praticar muita atividade física em tempo ou peso demasiado. A quantidade e a qualidade dos exercícios ficam prejudicadas. Muito mais do que trazer benefícios, começam a trazer malefícios”, destaca. Ele alerta para a necessidade de um acompanhamento psiquiátrico para os pacientes que fazem cirurgia bariátrica.

Que consequências podem trazer o exagero nos exercícios físicos?
Um problema que passou a ocorrer foi a vigorexia. É quando a pessoa começa a praticar atividades físicas e a exagerar. Os exercícios são para causar bem-estar, saúde, melhorar a qualidade de vida. Só que, da mesma forma que na anorexia, a imagem fica distorcida, na vigorexia a pessoa começa praticar muita atividade física em tempo demasiado ou peso demasiado. Ela fica se vendo como alguém que precisa melhorar muito a sua massa muscular, sua aparência física. Ela se vê com uma imagem distorcida de realidade.

As pessoas que fazem cirurgias bariátricas precisam de um acompanhamento psicológico?
Esse tipo de cirurgia é usado quando tentativas de emagrecimento como dietas, controle de peso e alimentar são feitas, mas a pessoa não consegue ter boa resposta, não consegue a perda de peso. O último recurso é tentar a cirurgia bariátrica. Mas, para fazer, a pessoa precisa passar por todo um preparo. Após a bariátrica a pessoa passa a ter restrição na quantidade do que pode comer muito grande. Isso muda muito o aspecto emocional. O alimento tem um fator emocional muito forte.

Há pessoas que fazem a cirurgia, mas voltam a engordar. Por quê?
Depois da cirurgia, é comum as pessoas acharem que estão bem e pensarem que não precisam de acompanhamento psicológico. Depois podem ocorrer vários sintomas de depressão, ansiedade, insônia e,  em alguns casos muito graves, o alcoolismo. O álcool passa a ser uma medicação para aliviar a angústia, a ansiedade e a insônia. É preciso procurar um psiquiatra para fazer o tratamento.

Qual o limiar entre o exagero e a vida saudável?
No paciente que era obeso, que teve indicação de fazer a bariátrica e, após a cirurgia, emagreceu, virou fitness, pode ocorrer uma contrapartida. A pessoa chega no determinado momento que, com o exagero dos exercícios, perde um pouco o limite do que é saudável com medo de voltar ao que era, ao quadro de obesidade descontrolada e baixa autoestima. A pessoa pode sair de um polo ao outro. Com medo de voltar a engordar, a pessoa passa a perder as coisas boas da vida e pode ser um perigo.

Algumas pessoas passam então a ter uma vida antissocial com receio de engordar?
Além do exagero na atividade física, a pessoa passa a ter restrições alimentares a ponto de não comer em restaurantes, em locais públicos, visando ingerir comidas que só tragam na cabeça delas uma melhora no desempenho. Isso começa a trazer grave sofrimento. A pessoa vai se isolando, evitando sair, ter contatos sociais para treinar cada vez mais ao ponto de ficar desnutrida em vez de fazer uma atividade física de maneira saudável.

Alguns quilos a mais na fase adulta aumentam risco

Miami - A maior parte dos adultos ganha peso à medida que envelhece, mas um aumento de apenas cinco quilos pode aumentar de maneira significativa o risco de doenças, afirmaram pesquisadores norte-americanos. Cientistas da Universidade de Harvard descobriram que um modesto aumento de peso na idade adulta “estava associada a uma elevada incidência de doenças crônicas maiores como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer e mortes não-traumáticas”, diz um estudo publicado no Journal of the American Medical Association.

“Nosso estudo é o primeiro do tipo a examinar sistematicamente a relação entre o ganho de peso na meia-idade adulta com um posterior maior risco à saúde”, declara o autor e professor de nutrição e epidemiologia em Harvard, Frank Hu. “Os resultados indicam que até mesmo um pequeno aumento de peso pode ter impactos importantes à saúde”, acrescenta. O estudo foi baseado em dados de pesquisas realizadas com mais de 92 mil pessoas entre 1976 e 2012.

Os participantes reportavam uma estimativa do peso ganho desde que tinham 18 anos (mulheres) e 21 anos (homens) até completarem 55, idade que os pesquisadores qualificam de “meia-idade adulta”. A maior parte das pessoas aumentou de peso nesse período. As mulheres ficaram com uma média de 10 quilos e os homens de 8,6.

Mas se comparar este grupo com o integrado pelos que conseguiram manter uma diferença menor do que 2,3 quilos entre a juventude e a meia-idade adulta, os que ganharam mais peso enfrentaram mais problemas de saúde, desde doenças do coração a um envelhecimento com achaque.

“Cada cinco quilos a mais esteve associando com 30% mais risco de ter diabetes tipo 2”, conclui o estudo. A probabilidade de ter uma doença cardiovascular é 8% maior. Em termos gerais, um aumento de peso em cinco quilos faz com que as probabilidades de ter um envelhecimento saudável diminuam em 17%. (AFP)
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