Alergia, sim, fome, jamais! Restrição alimentar por intolerância a substâncias como glúten é algo mais comum do que você pensa, mas basta manter uma dieta especial para garantir uma vida saudável

Emília Prado
Especial para o Diario
Edviver@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 10/03/2018 09:00

Já pensou em ficar sem comer pão, bolo, pizza, biscoito, salgadinho e chocolate? Pelo menos 1% das pessoas do mundo não pode consumir estes alimentos. O que eles têm em comum é o glúten, e essa parcela da população possui a doença celíaca, ou seja, o organismo delas reage mal quando o glúten é ingerido.

Mas o que é glúten? Uma substância que se encontra na semente de alguns cereais, como o trigo, ingrediente bastante usado para preparar alimentos como pães e bolos. Uma pesquisa um pouco mais demorada pode assustar pela quantidade de comidas nas quais o glúten pode ser encontrado, até no molho de tomate.

Enia Albuquerque, 8 anos, foi diagnosticada celíaca com apenas 1 ano de idade depois de uma série de exames. Os sintomas que apareceram foram os considerados clássicos: dor e inchaço na barriga e irregularidades no funcionamento do intestino. Outros sintomas que podem aparecer são mal-estar e reações na pele.

Ela não lembra, mas depois da primeira semana sem consumir nenhum alimento com glúten, os sintomas passaram e Enia não reclama mais. Mas as mudanças no cardápio provocaram algumas mudanças na rotina da família. Como é difícil encontrar alimentos sem glúten na rua, quando sai com a família. Enia sempre leva sua refeição ou lanche na bolsa. Na escola é a mesma coisa, a lancheira da garota é preparada especialmente para quem não pode consumir a substância.

Enia já se acostumou e não sente falta de comer algo que gosta, já que sua mãe, Emanuelle Albuquerque, aprendeu a preparar pratos que precisariam de trigo, por exemplo, com outros ingredientes. A mãe da garota faz pão, biscoito e até pizza e, segundo a filha, é uma delícia. A única queixa de Enia é na hora de sair. Em uma festa de aniversário ou em um restaurante nem sempre alimentos preparados sem glúten são servidos. Se não tiver comido antes de sair de casa ou se não levar o próprio lanche, Enia tem dificuldades para acalmar a sua fome em outros lugares, por isso as saídas ainda são motivo de algumas queixas.

Valentina, de 8 anos, não pode consumir glúten nem lactose, mas para ela não é nada muito grave. “Sou muito feliz!”, faz questão de falar. A mãe da garota, Luciana Leitão, também se arrisca na cozinha para que Valentina coma pão, por exemplo. Para não usar a farinha de trigo, ela opta pela farinha de arroz ou inhame, óleo de linhaça e fermento de batata doce.

Uma outra alergia alimentar que provoca muitas mudanças é a hipersensibilidade ao ovo. Além de substituir em pratos que precisam do alimento, existe também a tarefa de fornecer os nutrientes que ele oferece. O ovo tem uma das proteínas mais completas para o organismo, vitaminas e minerais. Para nada disso fazer falta, os pais de Ian Ferro, 8 anos, buscaram ajuda médica assim que a alergia foi descoberta.

Assim como Enia, a maior dificuldade do garoto é em ocasiões festivas. Os bolos de aniversário, por exemplo, costumam ser feitos com ovos, assim como a pizza das pizzarias, são poucas as que oferecem a opção da massa sem glúten. Ian é outro exemplo que não sente muita dificuldade por causa da alergia. “Eu como tudo que eu gosto, se estou com vontade de comer bolo a minha mãe faz sem o ovo e fica muito bom”, conta.

Cuidados
A falta de tratamento das alergias alimentares pode causar anemia e afeta o desenvolvimento do organismo e crescimento do corpo. O recomendado é procurar um médico especializado, um alergologista, que orienta o tratamento desde a dieta até os remédios, se for preciso.