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Uma tensão sem fim em Alcaçuz Penitenciária teve, ontem, o 6º dia de rebelião, com duas mortes, confrontos com a PM e tentativa de assassinato do diretor da unidade

Publicação: 20/01/2017 03:00

Penitenciária se transformou em um campo de batalha (ANDRESSA ANHOLETE/AFP)
Penitenciária se transformou em um campo de batalha
A luta pelo domínio da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, superou, ontem, 120 horas, com cenas de batalha campal, duas mortes e tentativa de assassinato até do diretor da cadeia. À noite, a Tropa de Choque entrou na prisão para tentar criar uma “parede” que separasse os detentos ligados ao Sindicato do Crime (SDC) dos filiados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao longo do dia, o ponto em disputa era o pavilhão 3 da unidade, antes ocupado por detentos considerados neutros e também por aqueles ligados ao SDC. Perto dali, integrantes do PCC, que ganharam força desde o massacre do sábado, quando mataram 26, queriam avançar ainda mais no território e conquistar mais um pavilhão - além do 5, o 4 já havia passado para a organização de origem paulista. Essa disputa, travada com armas artesanais, entre lanças e escudos, e com os pés na areia, representou o confronto mais intenso entre as partes na cadeia desde o início da semana.

O sexto dia de rebelião em Alcaçuz começou cedo. Nas primeiras horas da manhã, detentos de lado a lado voltaram a ocupar os telhados dos pavilhões e traçar objetivos para ameaçar e confrontar a parte rival. Do alto dos muros, o barulho dos disparos de armamento não letal efetuados por PMs e agentes penitenciários ecoavam na região, além das explosões das bombas de efeito moral. A corporação queria evitar à bala a aproximação dos grupos criminosos.

No meio da manhã, a tensão aumentou e os ataques se sucederam com pedras, paus, lanças e até com disparos de arma de fogo. No momento de maior conflagração, o diretor da unidade, Ivo Freire, subiu em uma das guaritas e virou alvo dos presos. Um tiro de arma de fogo disparado em sua direção com intenção de matá-lo atingiu a parede da guarita, esfarelando o cimento atrás dele. No presídio, o cenário visto desde o domingo passado continuava: bandeiras hasteadas e falta de controle sobre a circulação dos presos. Vários detentos feridos foram retirados por colegas. À noite, o governo confirmou duas mortes.