BRASIL

Tensão em protesto de servidores Aprovação do projeto de lei que permite a privatização da Companhia Estadual de Água e Esgoto teve quebra-quebra no Centro do Rio

Publicação: 21/02/2017 03:00

Banheiros químicos ao redor do Terreirão do Samba foram depredados (SANDRO VOX/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO)
Banheiros químicos ao redor do Terreirão do Samba foram depredados

Por 41 votos a 28, os deputados estaduais do Rio aprovaram ontem projeto de lei que permite a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto). A votação da medida encadeou uma manifestação no Centro da cidade, em que 20 pessoas foram detidas pela polícia. O projeto é uma contrapartida do governo estadual ao pacote de socorro financeiro negociado com a União e enfrentou forte resistência de servidores e da oposição. Com a aprovação, o governo Luiz Fernando Pezão espera entregar ações da empresa para tomar um empréstimo de R$ 3,5 bilhões com bancos públicos, medida que depende de aprovação, no Congresso, de alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na semana passada, a mobilização de familiares de policiais militares do Rio influenciou o adiamento da votação do projeto de lei. Em 9 de janeiro, na sessão que deliberou sobre o plano de privatização, houve conflito entre a polícia e manifestantes. Ontem, a base do governo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) atuou para rejeitar, em comissões da casa, todas as 211 emendas apresentadas ao projeto. Algumas delas, porém, poderão ser levadas a plenário pelos partidos, sob a forma de destaques. Caso o projeto seja sancionado, o governo terá seis meses para definir o modelo de privatização da companhia.

Após a aprovação pela manhã, manifestantes saíram em marcha pela Avenida Presidente Vargas, a principal do Centro do Rio. A marcha caminhou em direção ao prédio na Cedae. Adeptos da tática black bloc fizeram parte do protesto ao lado dos servidores, que se dividiram em apoiar ou não a prática. Jovens mascarados e servidores depredaram grades e tapumes instalados na região em função da organização do carnaval na cidade.

Tapumes de publicidade instalados no Terreirão do Samba foram arrancados. Próximo ao sambódromo, jovens com os rostos cobertos depredaram uma caixa de som instalada pela prefeitura. A polícia, que acompanhava de longe, decidiu agir às 14h30, lançando bombas e disparando tiros de borracha, mas não dispersou por completo o protesto, que seguiu para o seu destino.

Quando os manifestantes chegaram ao prédio da Cedae, a manifestação se dividiu. Um grupo começou a depredar o prédio da Cedae, enquanto outra parte preferiu ficar na via, de maneira pacífica, ao lado do carro de som. Cerca de 20 manifestantes foram cercados e detidos pela polícia.

E agora?
Nas próximas sessões, serão discutidos destaques ao texto apresentado pelo governo, antes que o projeto seja enviado para sanção. Cada partido poderá propor a votação de um número de emendas equivalente ao tamanho de sua bancada. Ao todo, 16 emendas serão votadas, mas é pequena a chance de aprovação.

R$ 10 bilhões
é a expectativa do alívio nas contas do Rio de Janeiro este ano com o empréstimo de R$ 3,5 bilhões e a suspensão do pagamento da dívida com a União.