ECONOMIA

Correios decidem entrar em greve Entre os motivos listados estão ameaças de privatização e de demissões, fechamento de agências pelo país e o "desmonte fiscal" da empresa

Publicação: 27/04/2017 03:00

Trabalhadores dizem que qualidade e universalização do serviço estão ameaçadas (MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL - 14/09/16)
Trabalhadores dizem que qualidade e universalização do serviço estão ameaçadas

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado ontem, desde as 22h. As ameaças de privatização e demissões, o fechamento de agências e o “desmonte fiscal” da empresa, com diminuição do lucro devido a repasses ao governo e patrocínios, são os principais motivos para a mobilização, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

A estatal afirma que teve prejuízos de R$ 2,1 bilhões em 2015 e R$ 2 bilhões no ano passado. Em dezembro, foi anunciado um plano de demissão voluntária e o fechamento de agências para reduzir os gastos. Já a Fentect alega que a receita tem crescido. “O que tem acontecido é um plano de desmonte próprio da empresa, atacando a própria qualidade e universalização do serviço”, disse a secretária de Imprensa da Fentect, Suzy Cristiny.

Segundo a entidade, a “privatização” coloca em risco o direito da população aos serviços dos Correios, já que a empresa tem fechado agências em cidades menos lucrativas. “Mais de 200 agências estão sendo fechadas por todo o Brasil. Muitos moradores do interior e das periferias vão ficar sem o atendimento bancário e postal dos Correios do Brasil”, informou a federação. O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, diz que é contra privatizar os Correios, mas que a empresa terá que fazer “cortes radicais” de gastos para evitar a privatização, já que o governo não socorrerá a empresa financeiramente.

CRÍTICAS
Além do fortalecimento de franqueados e o fechamento de agências próprias, o que, na opinião da federação, “esvazia os negócios da empresa para a iniciativa privada”, a Fentect critica os repasses da empresa ao governo federal acima do valor estabelecido. “Nos últimos anos, os Correios repassaram para o governo federal R$ 6 bilhões e, desse montante, R$ 3,9 bilhões foram acima do valor estabelecido legalmente, prejudicando as reservas financeiras e investimentos necessários para a modernização da empresa”, informou.

A entidade cita ainda o distrato de R$ 2,3 bilhões do Banco Postal com o Banco do Brasil e a destinação de R$ 300 milhões em patrocínios na Olimpíada e pede uma auditoria na contabilidade da empresa. Os sindicatos de todo o país se reuniram ontem para referendar a manifestação sobre a greve. As entidades e a empresa já promoveram mesas de negociação, mas, segundo a secretária, não houve avanços. Ela disse ainda que trabalhadores dos Correios se unirão às manifestações de amanhã contra as reformas trabalhista e da Previdência.

Os trabalhadores reivindicam melhorias nas condições de trabalho, a contratação de novos funcionários, mais segurança nas agências, retorno da entrega diária e fim da suspensão de férias.

Em nota, a empresa informou que, caso o movimento grevista seja deflagrado, os Correios adotarão as medidas necessárias para garantir a continuidade de todos os serviços. “Uma paralisação dos empregados neste momento delicado pelo qual passa a empresa é um ato de irresponsabilidade, uma vez que a direção está e sempre esteve aberta ao diálogo com as representações dos trabalhadores”, informou. O presidente dos Correios, Guilherme Campos, disse que a greve “dá argumentos para a parte que defende a privatização” da estatal. “A greve reduz o nível do serviço entregue, dá argumentos nesse sentido”, afirma. “É muito difícil privatizar, mas se a empresa não se mostrar viável, qual outro caminho nós vamos ter?”, questiona Campos.  (Agência Brasil)