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A revolução dos Castro continuará Ao assumir o comando de Cuba, Miguel Díaz-Canel se comprometeu a dar continuidade ao legado de Fidel e Raúl e a reformar o modelo econômico

Publicação: 20/04/2018 03:00

Havana (AFP) - Cuba iniciou uma nova era após seis décadas da revolução: o general Raúl Castro (86 anos) transmitiu a Presidência a Miguel Díaz-Canel, um civil quase 30 anos mais novo, comprometido a dar continuidade ao legado de seus antecessores e a reformar o modelo econômico socialista.

Em seu primeiro discurso como presidente na Assembleia Nacional, assegurou que Cuba continuará sendo “verde oliva”, e que terá em Raúl um guia, em um sinal para a ala dura revolucionária de militares históricos, mais resistente em sacrificar o legado socialista sob o pretexto das reformas. “O mandato concedido pelo povo a esta legislatura é dar continuidade à revolução cubana em um momento histórico crucial, que será marcado por tudo que devemos avançar na atualização do modelo econômico”, disse após saber do resultado da votação no Parlamento.

Para o novo presidente, seu antecessor, Raúl Castro, que permanece como líder do governante Partido Comunista (PCC, único) até 2021, “comandará as decisões de maior transcendência”.

A mudança de comando foi simples, sem pompas, mas muito aplaudida. Após levantar o braço esquerdo de seu sucessor, Raúl Castro deixou sua cadeira à mesa principal do Palácio das Convenções de Havana, que foi imediatamente ocupada por Díaz-Canel. Ao lado permaneceu a cadeira vazia de Fidel Castro, falecido em 2016.

Com ele foram eleitos também os demais membros do Conselho de Estado: o primeiro vice-presidente - o sindicalista afro-cubano Salvador Valdés, de 72 anos -, cinco vice-presidentes, um secretário e 23 membros. Os novos ministros serão conhecidos em meados no ano.

A nomeação de Díaz-Canel foi saudada por seus aliados da China, Xi Jinping; Rússia, Vladimir Putin; Venezuela, Nicolás Maduro, e Bolívia, Evo Morales. Mas também por México, Panamá, Espanha e Reino Unido. Já os Estados Unidos, um inimigo durante a guerra fria, criticaram o processo. “Os cidadãos cubanos não tinham poder real para afetar o resultado deste processo de transição não democrático”, indicou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. “Exortamos o novo presidente a escutar e responder às demandas dos cidadãos cubanos de uma Cuba mais próspera, livre e democrática”.

No encerramento, Raúl Castro deixou claro que a eleição de seu sucessor “não por acaso, foi prevista. Dentro de um conjunto, o melhor, segundo nossa modesta opinião e do partido, foi o companheiro Díaz-Canel”, assinalou.