Ofensiva contra a intolerância de Trump Quatro governadores se recusaram a atender o pedido do presidente para enviar tropas à fronteira

Publicação: 20/06/2018 03:00

Washington (AFP) - Quatro estados norte-americanos se negaram a enviar tropas para a fronteira com o México, em protesto contra a polêmica decisão do governo de Donald Trump de separar de seus pais os filhos de imigrantes em situação ilegal. Colorado, Nova York, Maryland e Massachusetts disseram que não enviariam tropas da Guarda Nacional estatal para o serviço de fronteira. “Não seremos cúmplices dessa tragédia humana”, declarou ontem o governador democrata de Nova York, Andrew Cuomo. “Diante do tratamento desumano do governo federal com as famílias de imigrantes, Nova York não vai implantar a Guarda Nacional na fronteira”, garantiu Cuomo no Twitter.
Larry Hogan, o governador republicano de Maryland, também indicou que não enviará membros da Guarda Nacional para a fronteira “até que essa política de separar as crianças de suas famílias tenha sido rescindida”. Hogan informou que ordenou o “retorno imediato” de quatro membros de uma tripulação de helicópteros estacionada no estado fronteiriço do Novo México.
John Hickenlooper, o governador democrata do Colorado, assinou uma ordem executiva na segunda-feira proibindo o uso de recursos estatais “com a finalidade de separar qualquer criança de seus pais ou tutor”, uma prática que chamou de “cruel e anti-americana”.
O governador de Massachusetts, Charlie Baker, também considerou a medida “cruel e desumana” e disse que não enviaria uma tripulação de helicópteros da Guarda Nacional que deveria ir à fronteira no final deste mês.
O governo Trump tem sido duramente criticado dentro e fora do país por essas separações familiares, produto de uma política de “tolerância zero” em relação aos imigrantes em situação ilegal. Desde o anúncio desta medida no início de maio, 2.342 crianças e jovens imigrantes foram separados de suas famílias, de acordo com os últimos dados oficiais.
Trump acusou a oposição democrata de ser responsável pela crise, bloqueando a reforma migratória discutida no Congresso. “Se você não tem fronteiras, não tem país!”, tuitou o presidente republicano ontem.
Trump anunciou em abril seus planos de enviar milhares de soldados da Guarda Nacional para a fronteira, onde poderiam permanecer até que o muro que ele prometeu construir na fronteira sul do país fosse concluído.
As grandes empresas norte-americanas exortaram ontem o governo de Donald Trump a pôr fim “imediatamente” à sua política de separação de famílias de imigrantes ilegais, que consideram “cruel”. “A Business Roundtable insta o governo a pôr fim imediatamente à política de separação de menores acompanhados por seus pais”, escreveu Chuck Robbins, gerente do setor de imigração dessa organização patronal.  “Esta prática é cruel e contrária aos valores norte-americanos”, acrescentou.