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Tragédia poderia ter sido ainda pior Polícia espanhola revela que plano dos terroristas do Estado Islâmico era elaborar um ataque de grandes proporções no país usando bombas

Publicação: 19/08/2017 03:00

Os supostos autores dos ataques na Catalunha (nordeste da Espanha), preparavam atentados de maior envergadura, mas tiveram que optar pelos atropelamentos maciços que deixaram 14 mortos e 120 feridos, informou nesta sexta-feira a Polícia catalã, que identificou os corpos de três jovens marroquinos abatidos em Cambrils. Ao anunciar os resultados das investigações, o delegado-chefe da polícia regional da Catalunha, Josep Lluis Trapero, afirmou que o principal suspeito, o motorista que jogou a van contra uma multidão em Barcelona, pode estar entre os cinco supostos terroristas mortos pelas forças de segurança na madrugada desta sexta em Cambrils, 120 km a sudoeste de Barcelona.

O massacre, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), poderia ter sido muito pior, admitiu a Polícia. “A tese com que estamos trabalhando é que já estavam se preparando há algum tempo nos arredores do domicílio de Alcanar”, um município 200 km ao sul de Barcelona onde, na noite de quarta-feira, ocorreu uma explosão, afirmou o comissário-chefe da Polícia catalã.

A explosão na casa onde supostamente eram preparados explosivos evitou atentados de maior envergadura, afirmou Trapero. Foram retirados do local vários botijões de gás, que possivelmente serviriam para a fabricação de bombas. Os terroristas precisaram agir “de forma mais rudimentar, seguindo a marca dos outros atentados em cidades europeias”, prosseguiu.

A Polícia identificou os corpos de três dos cinco mortos na operação de Cambrils. São Moussa Oukabir, Said Aallaa e Mohamed Hychami, respectivamente de 17, 18 e 24 anos, todos marroquinos e moradores de Ripoll, no norte da região. Um quarto suspeito, Younes Abouyaaqoub, de 22 anos, ainda está sendo procurado. Trapero declarou em entrevista à regional TV3 que entre os doze suspeitos de envolvimento nos ataques estão os cinco mortos em Cambrils e quatro pessoas detidas.

Os quatro detidos, um em Alcanar e o restante em Ripoll, são três marroquinos e um espanhol nascido no enclave de Melilla, com idades entre 21 e 34 anos, todos sem antecedentes relacionados com o terrorismo. Os outros três suspeitos foram identificados, mas não detidos. A Polícia suspeita que dois podem ter morrido na explosão em uma casa em Alcanar, 200 km ao sul de Barcelona, onde supostamente o grupo preparava bombas. Não há informações sobre a terceira pessoa.

A avenida Las Ramblas, uma concorrida via de pedestres onde ocorreu o atropelamento, ficou ontem colorida em memória das vítimas, com altares improvisados com flores e velas e cartazes com dizeres como “Las Ramblas choram, mas estão vivas”.  (AFP)