OPINIÃO

EDITORIAL » Qualidade do ensino

Publicação: 24/03/2017 03:00

O Ministério da Educação (MEC) acerta ao dar mostras de que deverá rever a avaliação da metodologia dos cursos de graduação no país, pois a atual vem demonstrando falhas que devem ser corrigidas. Assim, permitirá que as autoridades tenham conhecimento da real situação do ensino universitário brasileiro, no nível de graduação. Pelo método de verificação adotado hoje, um em cada dez cursos, em 2015, foi reprovado, recebendo nota 1 ou 2, consideradas insatisfatórias no Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador de qualidade na escala de 1 a 5. A qualidade da educação foi medida em bacharelados e cursos tecnológicos, em 26 áreas, entre elas, direito, psicologia, jornalismo, economia e administração.
Proporcionalmente, os cursos com baixo desempenho representam 11,3% das 8.121 graduações avaliadas. A maioria (57,7%) teve nota 3, considerada regular; 26,5% ficaram com conceito 4; e somente 1,2% obteve nota 5. Os dados divulgados pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Pesquisa Educacional Anísio Teixeira (Inep) mostram, claramente, que o monitoramento da qualidade dos cursos oferecidos, tanto na rede pública quanto na privada, tem de ser rigoroso para que haja a correção de rumos.
Com o resultado do levantamento, mais de 900 cursos com desempenho insatisfatório deverão ser supervisionados pelas autoridades. As medidas restritivas adotadas pelo MEC vão desde suspensão de novos vestibulares, redução de vagas e, em último caso, fechamento de cursos e de instituições. Os nomes das graduações que serão atingidas por essas medidas serão publicados mês que vem, o que proporcionará o acompanhamento da qualidade do ensino oferecido.
Ao anunciar que a forma de avaliação em 2018 poderá ser modificada, especialistas do MEC revelam que estudos demonstram aumento da concentração do conceito 3, que é o mediano, a cada ano. Paulo Barone, secretário de Educação Superior do MEC, ressalta que esse comportamento pode indicar que o monitoramento começa a falhar. Lembra, ainda, que as próprias instituições de ensino superior são favoráveis à mudança nos critérios de avaliação.
Os dados divulgados recentemente não deixam dúvida de que é obrigação de toda a sociedade lutar por um ensino universitário moderno e de qualidade. Em nenhum país do mundo, foi possível fomentar o desenvolvimento socioeconômico sem uma universidade forte, que promova uma educação de ponta nas mais diversas áreas do conhecimento. E o Brasil não pode se dar ao luxo de abrir mão do seu futuro.