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O adeus ao cancioneiro Falecido aos 74 anos, o poeta Marcus Accioly foi sepultado em Aliança, onde nasceu, deixando 14 obras publicadas e outras 10 ainda inéditas

Publicação: 23/10/2017 09:00

O poeta Marcus Aciolly, 74 anos, foi sepultado ontem no município de Aliança, onde nasceu. O velório aconteceu na sede da Prefeitura Municipal. Após o rito fúnebre, o cortejo seguiu para o cemitério, por volta das 11h30. Segundo Thiago Dantas, amigo da família, mais de 100 pessoas acompanharam o adeus ao autor, que morreu no sábado. Thiago explicou que Marcus passou mal em casa. Familiares tentaram reanimá-lo e o levaram a um hospital. “Ele foi socorrido, mas não resistiu, o que leva a crer em ataque cardíaco”, contou.

Integrante da Academia Pernambucana de Letras, o poeta publicou 14 livros, entre os quais Nordestinados, Xilografia e Sísifo. Poeta e bacharel em direito, pertenceu à Geração 65, formada também pelos poetas Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo, Domingos Alexandre e José Luiz de Almeida Melo, entre outros nomes, e do Movimento Armorial, capitaneado por Ariano Suassuna.

O autor nasceu em 21 de janeiro de 1943. Seus primeiros poemas foram publicados no suplemento literário do Diario de Pernambuco, quando este era dirigido pelo também poeta César Leal. Escreveu seu primeiro livro, nunca publicado, aos 18 anos. Sua primeira obra lançada foi Cancioneiro, de 1968. Em 1972, recebeu o Prêmio Recife de Humanidades pelo livro Nordestinados (1971). Publicou, em 1974, Xilografia. Em 1980 publicou Guriatã, que ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia, concedido pela União Brasileira de Escritores, e recebeu a Láurea Altamente Recomendável para o Jovem, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 1985, com Narciso, recebeu o Prêmio de Poesia da Associação Paulista dos Críticos de Artes, e o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras.

“Tudo o que consegui na vida foi pela poesia”, costumava dizer. Durante o governo do ex-presidente Itamar Franco, ocupou o cargo de secretário-executivo do Ministério da Cultura, na gestão do ministro Antonio Houaiss. Marcus deixou 10 livros inéditos.

Entre os presentes ao enterro estavam o secretário estadual de Cultura, Marcelino Granja, que representou o governador Paulo Câmara. Também compareceram a presidente da Academia Pernambucana Pernambucana de Letras, Margarida Cantarelli, e os amigos de APL e do Conselho Estadual de Cultural Reinaldo de Oliveira e José Mário Rodrigues. Um ônibus levando amigos do poeta saiu sede da Academia de Letras, no bairro das Graças, no Recife, para Aliança, que fica a cerca de 80km da capital.

Em nota, o governador Paulo Câmara lamentou a morte do poeta. “Pernambuco perde um dos seus maiores poetas contemporâneos com a morte de Marcus Aciolly. Autor de uma produção vasta e que começou muito cedo, esse pernambucano de Aliança também foi um intelectual engajado que ocupou posições importantes em defesa da cultura do estado e brasileira. Minha solidariedade aos seus familiares e amigos”.

Obras do autor:
  • Cancioneiro (1968)
  • Nordestinados (1971)
  • Sísifo (1976)
  • Xilografia (1974)
  • Poética (1977)
  • Íxion (1978)
  • Ó (de) Itabira (1980)
  • Guriatã: um cordel para menino (1980)
  • Narciso (1984)
  • P/Bara(ti)nação (1986)
  • Érato (1990)
  • O jogo dos Bichos (1990)
  • Latinomérica (2001)
  • Daguerreótipos (2008)