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No rastro de Eça Integrantes da Academia Pernambucana de Letras elegem o jurista e escritor Sílvio Neves Baptista para ocupar a cadeira 19 da instituição, antes pertencente ao poeta Marcus Accioly

Publicação: 23/01/2018 03:00

Vida e obra do escritor português Eça de Queiroz devem se tornar assuntos mais recorrentes na pauta dos encontros da Academia Pernambucana de Letras (APL). Isso porque o mais novo integrante da instituição, eleito ontem, é um aguerrido pesquisador da trajetória do autor de Os Maias e O crime do padre Amaro. Sílvio Neves Baptista recebeu 34 dos 37 votos possíveis para ocupar a cadeira 19 da APL, antes pertencente ao poeta Marcus Accioly, morto em outubro do ano passado aos 75 anos. Também concorreram ao pleito Marcos Antônio Soares de Andrade Filho e Marilourdes Ferraz.

“Em todas as eleições pelas quais passamos na Academia, ficamos com dois sentimentos: o primeiro é de tristeza e saudades do colega que faleceu. O segundo, de alegria”, comentou a presidente da APL, Margarida Cantarelli. “Sílvio é um amigo há muitos anos, colega de magistério na Faculdade de Direito, e tenho certeza de que virá somar neste trabalho de aproximação da APL com a juventude, pois o trato com o jovem faz parte da sua atividade, da sua formação”, completou.

Sílvio Neves Baptista classificou o resultado da votação como “a realização de um sonho antigo” e atribuiu a conquista ao trabalho voltado para a obra de Eça de Queiroz. “Entrar na Academia é muito honroso, principalmente para mim, que sempre escrevi obras de direito. Somente há pouco tempo passei a me dedicar também à literatura”, comentou. O novo imortal aproveitou para ressaltar a ligação de Eça de Queiroz com Pernambuco: “Ele já deu nome até a marca de cigarro aqui no estado. Foi registrado só em nome do pai, com mãe incógnita, e criado por uma ama pernambucana”, disse o autor de Eça de Queiroz: Um caso de abandono materno e de filiação socioafetiva.

PRÊMIOS
Junto ao resultado da eleição, a Academia de Letras de Pernambuco divulgou os vencedores dos prêmios literários da instituição. São eles: Um centro educacional Brasileirinho de Silva, de Kelma Fabíola Beltrão de Souza (ensaio), Quase poesia, quase faina, quase, de Edson Mendes de Araújo Lima (poesia), A menina que vendia rosas encarnadas, de Manoel Constantino Filho (infantojuvenil), Olinda: Entre poderes, elites, de Breno Almeida Vaz Lisboa (categoria municípios pernambucanos), Meu velho guerrilheiro, de Álvaro Antônio Maria Moreira Filho (ficção), Almas à venda: comércio negreiro na Praça no Recife (1660-1760), de George Félix Cabral de Souza (história de Pernambuco).