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Guardo a tua lembrança Jerry Adriani morreu ontem, no Rio de Janeiro, menos de um mês após anunciar a batalha contra o câncer, e deixou uma autobiografia pronta

Publicação: 24/04/2017 09:00

Cantor e ator paulista lançou o primeiro disco aos 17 anos e estava internado no Rio (Prefeitura de São Paulo/Reprodução)
Cantor e ator paulista lançou o primeiro disco aos 17 anos e estava internado no Rio
Um dos ícones da Jovem Guarda, o cantor Jerry Adriani morreu ontem, aos 70 anos, após uma batalha contra o câncer. O artista estava internado desde o início de abril no Hospital Vitória, no Rio de Janeiro. “A família de Jerry Adriani tem o doloroso dever de comunicar aos seus amigos o seu falecimento. Agradecemos a todos pelo enorme carinho”, diz nota sucinta publicada na página dele no Facebook. A companheira, Ceila Passos, publicou uma imagem dos dois com uma frase de Charlie Chaplin como legenda: “As pessoas não se encontram por acaso”. Ele tinha três filhos e um neto.

A causa da morte não foi divulgada. Jerry foi internado no início de março para tratar uma trombose venosa profunda, foi submetido a uma cirurgia e descobriu o câncer após uma série de exames. “Para que não se criem falsas verdades, a gente está dizendo que está tudo sob controle e logo estamos fora daqui para cantar de novo para vocês. Não vai demorar, se Deus quiser”, disse ele, em vídeo, na época. Duas semanas após receber alta, voltou para tratar a doença, comunicada ao público no dia 10 de abril.

Jair Alves de Souza nasceu em 29 do janeiro de 1947, em São Paulo, e começou a carreira musical na adolescência. Em 1964, lançou o LP Italianíssimo, na língua estrangeira. No ano seguinte, estreou em português com Um grande amor. Querida, Amor querido, A última vez, Doce, doce amor e Tudo que é bom dura pouco foram imortalizadas na voz grave do paulista. As duas últimas são de Raul Seixas, amigo “apadrinhado” e incentivado por ele a se mudar para o Rio de Janeiro para atuar como banda de apoio de Adriani.

Raulzito, Bill Haley & His Comets e outros nomes da música foram homenageados por ele no disco autoral Pop, Jerry & rock, de 2011. Elvis Presley, em Elvis vive (1990), e Legião Urbana, em Forza sempre (1999), no qual o descendente de italianos fez versões da banda e vendeu 200 mil cópias, também receberam tributos. Jerry foi um dos principais nomes do movimento musical inspirado no rock’n’roll norte-americano, ao lado de Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa, Ronnie Von, Wanderley Cardoso e Vanusa. A morte foi lamentada por artistas de vários segmentos, como Lúcio Mauro Filho, Roger, do Ultraje a Rigor. “Fica a saudade, sua música eterna e muitas histórias. Em um dos nossos últimos encontros, Jerry contou que muitas vezes o confundiam comigo. E acho que até temos nossas semelhanças, sempre apaixonados pelo que fazemos, determinados e de uma geração de ouro. Quanta honra”, escreveu o apresentador Amaury Jr.

O músico comandou o programa Excelsior a go go, da TV Excelsior, com Luís Aguiar, e A grande parada, na TV Tupi, junto com Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marília Pera. Como ator, integrou projetos no cinema, na TV e no teatro. O mais recente álbum é Outro Jerry Adriani, gravado ao vivo em 2016. Com direção musical de Billy Blanco Jr., o DVD reúne as canções A medida da paixão, dos pernambucanos Lenine e Dudu Falcão, Hier encore, de Charles Aznavour, e Judiaria, de Lupicínio Rodrigues, entre outras. Neste ano, deve ser lançada uma autobiografia, concluída por antes do carnaval, pela editora Sonora, de Marcelo Fróes, que lamentou a perda do amigo com um vídeo do último show dele.

“Meu amigo fiel, gentil companheiro merece toda homenagem do mundo. Hoje vamos subir no palco com você no coração, dedicamos esse espetáculo de hoje a sua voz, carisma e caráter que tanto nos encantou. Te amo, Jerry”, Wanderléa, cantora