"Barulho ensurdecedor", diz moradora Funcionária da Prefeitura de Ouro Preto embarcou em ônibus perto do Morro da Forca instantes antes do deslizamento de terra que destruiu dois imóveis

Cristiane Silva
Estado de Minas

Publicação: 14/01/2022 03:00

“É surreal. A sensação que dá é de que está vindo tudo, que todo o morro desceria naquele momento”. O depoimento é de Luciana Santos Roberto, que trabalha como auxiliar administrativa na Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto, na Região Central de Minas. Na manhã de ontem, ela estava em um ônibus que saiu pouco antes do deslizamento de terra no Morro da Forca que destruiu dois imóveis históricos na Praça da Estação, no centro da cidade.

Luciana estava a caminho de mais um dia de trabalho quando o desabamento ocorreu. O ponto de ônibus fica na Rua Doutor Pacífico Homem, alguns metros de distância dos casarões, do outro lado da via. “Na hora em que eu estava no ponto de ônibus para ir trabalhar, desceu um pouquinho de terra na pontinha do morro. Eu falei para minha amiga, ‘se o ônibus demorar, vamos caminhar rápido, porque (a terra) vai descer’. Nisso, o ônibus veio”, contou.

O veículo no qual Luciana e a amiga embarcaram saiu na frente do micro-ônibus de onde passageiros filmaram o momento exato do deslizamento de terra. Além dos casarões, postes e a fiação de energia foram danificados, gerando faíscas e explosões.

“Uma pessoa que estava do meu lado já ligou para a Defesa Civil. O ônibus andou um pouquinho e a gente só ouviu o barulho. Graças a Deus, a Defesa Civil foi e está sendo rápida, e evitou (um desastre maior). É uma via que tem tráfego de carros e gente o tempo todo. O barulho foi ensurdecedor, tremeu tudo”, contou.

A funcionária da secretaria disse que, quando o desabamento ocorreu, o ônibus dela já estava descendo sentido Saramenha, de forma que eles não viram a terra descendo. “A Defesa Civil foi muito rápida, as pessoas que estavam na rua sinalizando, ninguém passava. Todo mundo pensou rápido e da forma correta. Porque eu peguei o ônibus descendo, o que sobe passa bem embaixo (do morro) ali. Se estivesse passando um ônibus, ele seria automaticamente soterrado”, destacou.

Ainda de acordo com Luciana, o sobrado e o imóvel amarelo ao lado, assim como outra casa branca que resistiu ao desabamento, já estavam desocupados pela prefeitura há algum tempo por conta dos riscos. Segundo ela, a Secretaria de Agropecuária de Ouro Preto já funcionou no sobrado que não existe mais.

A moradora contou que a sensação de ter escapado do incidente foi de “alívio e gratidão”, ao mesmo tempo em que todos ficaram preocupados no primeiro momento, antes de receberem as informações de que não havia vítimas. Como o entorno da Praça da Estação foi interditado, o secretário da pasta onde trabalha disponibilizou um transporte para que os funcionários voltassem para casa passando por fora da cidade.

Ouro Preto é um dos 347 municípios em situação de emergência por conta das chuvas em Minas Gerais, segundo o boletim da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). No último dia 8, um homem de 55 anos morreu na cidade após a casa dele ser atingida por um deslizamento de terra no Bairro Santa Cruz. O número de mortos durante o período chuvoso no estado já chega a 25.