Bacia leiteira estadual sofre com isolamento Cadeia enfrenta dificuldades de distribuição da matéria-prima e com a queda da demanda por laticínios

Tatiana Notaro
Especial para o Diario
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Publicação: 26/03/2020 03:00

A bacia leiteira de Pernambuco é mais um setor produtivo afetado pela pandemia da Covid-19. A cadeia está lidando com dificuldades pontuais de distribuição da matéria-prima, o leite fluido, e com a queda da demanda por laticínios, impactada pelo fechamento temporário de bares, restaurantes e hotéis. A perda da produção nos últimos oito dias, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileite-PE), Alex Costa, chegou a 150 mil litros por dia, o que corresponde a 10% da produção diária no Agreste do estado, onde estão a maioria dos municípios que formam a bacia leiteira. “Os queijeiros, que são os maiores compradores do leite fluido, já não estão mais comprando. A demanda deles chega a 200 mil litros/dia”, disse.

Para minimizar perdas, o Governo de Pernambuco está solicitando recursos à União para ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa do Leite, de R$ 9 milhões e R$ 3,5 milhões mensais, respectivamente. Se o pleito for atendido, esses itens podem passar a integrar a cesta de alimentos distribuída aos alunos da rede estadual de educação.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco, Dilson Peixoto, os problemas de distribuição citados pelo Sindileite ocorreram porque alguns municípios do interior entenderam que o decreto do governo do estado, que restringe o transporte intermunicipal de passageiros, incluía cargas. Já há diálogo com os prefeitos dessas localidades e Peixoto reforçou que é necessário que cargas de alimentos, medicamentos e materiais de limpeza não sejam retidas.

Cadeia

Segundo presidente do Sindileite-PE, antes dos reflexos da pandemia, o setor estava em boas condições, com produção crescendo em mais de 10% e chuvas contribuindo para a qualidade do pasto. Costa explicou que o prejuízo se desenha em cadeia: sem ordenha, as vacas adoecem; sem entrega, o leite apodrece e vai para o lixo; o produtor da ponta perde; os queijeiros, idem. “Se a distribuição para a população é afetada, pode haver aumento do preço final sem justificativa na produção, além de um iminente desabastecimento”, completou.

A estratégia, segundo Costa, está sendo a produção de queijos que têm maior vida útil, como parmesão, reino e de coalho. “Os produtores têm nos procurado em buscar de uma solução imediata. Não pode ser para daqui a 30 dias”, disse.

Números do Programa do Leite de Pernambuco
  • Hoje, 984 mil litros de leite são distribuídos por mês, sendo:
    - 886 mil litros de leite de vaca e
    - 118 mil litros de leite de cabra que atendem a
    --- 31.754 famílias de baixa renda em Pernambuco
  • Com a ampliação do programa, mais 82.246 famílias passariam a ser atendidas
    - Chegando a um total de 114 mil
Recursos solicitados para a União
  • Programa de Aquisição de Alimentos: R$ 9milhões
  • Programa do Leite: R$ 88.726.700, o que corresponde a R$ 3.500.000 mensais.
Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Pernambuco