Dívidas chegam a 380.205 famílias Percentual de 74% de endividados alcançado em maio em Pernambuco é o maior para o mesmo mês desde 2014, quando índice chegou a 78%

Luciana Morosini
luciana.morosini@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 22/05/2020 05:30

O percentual de pernambucanos endividados em maio alcançou 74%, o maior para o mês desde 2014, quando foi de 78%. Na variação mensal, a taxa apresentou crescimento de 2,9 pontos percentuais, já que a o índice em abril foi de 71,1%. O percentual de maio equivale a 380.205 famílias endividadas, uma elevação de 15.316 lares em um mês. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a alta é ainda maior, chegando a aumentar 20.280 famílias, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). Os números são reflexos da pandemia do coronavírus, que já resultou em um encolhimento do mercado de trabalho tanto dos trabalhadores formais como informais e, consequentemente, impactou na renda das pessoas. E a tendência é de um agravamento na situação em junho.

O percentual de famílias que tinham alguma conta em atraso em maio foi de 31,1%, contra 30,3% em abril deste ano e 30,4% em maio de 2019. No estado, o número chegou a 159.833 famílias. Já os que informam que não têm mais condições de pagar as dívidas chegaram a 15,8%, equivalente a 81.365 mil famílias. O acréscimo mensal foi de 9.741, enquanto no comparativo com maio de 2019 foi de 18.606 lares.

“A alta no número de pernambucanos endividados entre abril e maio é reflexo desse momento de pandemia, com os desdobramentos no mercado de trabalho. Para os formais, existe um nível maior de demissão, além de uma contratação menor. Já na informalidade, milhares de pessoas nem conseguem trabalhar porque está tudo fechado e não tem fluxo de pessoas”, explica Rafael Ramos, economista da Fecomércio-PE.

Segundo o economista, o consumo tem se voltado para bens essenciais, como alimentação, bebidas, medicamentos e material de higiene, porém, ainda assim, com a falta de renda, as famílias têm usado o crédito para conseguir fazer as compras. O resultado da pesquisa por tipo de dívida aponta que 91,3% do endividamento é no cartão de crédito e 15,5% no carnê. E as dívidas comprometem entre 11% e 50% da renda. “É um risco muito elevado financiar a despesa corrente porque ela tem todo mês. Então, se eu pago com o crédito e divido, no próximo mês a conta vai ser dessa divisão mais a parte inteira. E como a maior parte do comércio não essencial está fechado e o consumo pela internet não se coloca no mesmo nível de antes, as compras basicamente são da feira do mês. Postergar o pagamento é muito perigoso”, ressalta Rafael Ramos.

Para junho, as perspectivas seguem a tendência negativa. “A estimativa é que o endividamento cresça nos próximos meses. Junho tem duas datas importantes, mesmo com o isolamento social. As pessoas tendem a comemorar o dia dos namorados e os festejos juninos. Além de que deve ter uma piora no mercado de trabalho, gerando mais endividamento”, conclui.

Números

  • 74% dos pernambucanos endividados em maio

  • 380.205 famílias endividadas

  • 31,1% de famílias com conta em atraso

  • 15,8% não têm condições de pagar as dívidas

  • 91,3% endividamento no cartão de crédito

  • 15,5% endividamento no carnê

Fonte: Peic