Lojistas pedem negociação com Aena Associação que representa empresários entrou com ação na Justiça pedindo postergação do aluguel

Tatiana Notaro
ESPECIAL PARA O DIARIO
tatiana.notaro@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 23/05/2020 09:30

Pequenos e médios comércios estão trabalhando às escuras. A pandemia que os impede de abrir as portas e dificulta a receita nem sempre é observada nas negociações de aluguéis e com fornecedores. Segundo a Associação dos Concessionários de Aeroportos de Pernambuco (ACAP), lojistas estão lidando com essa situação com a Aena Brasil, que administra o terminal do Recife.

“Passamos de uma média de 100 para 10 voos diários e alguns lojistas sequer podem abrir as portas. Mesmo assim, o diálogo com Aena nunca foi conclusivo a essa situação”, diz o presidente da ACAP, Valter Jarocki Júnior. Como as recomendações sanitárias para a pandemia e todo mundo pego de surpresa, qualquer planejamento foi abaixo. Nessa situação e sem espaço para diálogo com a empresa, a ACAP entrou com uma ação na Justiça pedindo postergação do aluguel de março, entre outros pleitos.

“Mesmo com mandado judicial, a Aena continuou cobrando os aluguéis e fez uma proposta de 90% de desconto no valor referente a abril se o correspondente a março fosse pago. Mesma proposta para todos, inclusive as lojas fechadas. Apenas queremos que a Aena seja solidária com o momento”, continua Jarocki.

A problemática, segundo a ACAP se agrava no aeroporto porque os aluguéis têm valores altíssimo. Segundo Jarocki, por um ponto de 20 metros quadrados, um aluguel mensal pode ir além de R$ 50 mil. A ação judicial movida contra a Aena foi deferida, segundo a associação, e acabou abrindo um canal de diálogo amistoso entre as partes, mas sem nunca se chegar a um denominador comum.

“Tenho lojas em shopping no Recife e lá houve negociação com relação ao aluguéis. Fechados, não faturamos, não tem como pagar. Além disso, existem as incertezas. Como vou negociar este mês sem saber como será o próximo?”.

Aena fala

Procurada pelo Diario, a Aena Brasil explicou que “tem se mantido sensível à situação econômica de seus clientes e subconcessionários” diante da pandemia  e que reconhecendo as dificuldades gerais, “estabeleceu que a redução do valor da cessão paga ao Aeroporto Internacional do Recife seria proporcional à redução dos voos realizados nesse terminal”.

“No caso do mês de março, a redução dos voos só aconteceu a partir da segunda quinzena, após a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretar a situação de pandemia. Mesmo assim, a Aena Brasil ofereceu aos subconcessionários a possibilidade de parcelamento referente a esse mês”, disse a empresa, em nota.

A Aena explicou ainda que ofereceu flexibilização de 90% do pagamentos dos aluguéis a subconcessionários adimplentes ou que já tivessem buscado meios de negociação de dívidas. Segundo a concessiária, a redução no número de operações nos terminais sob sua gestão chega a cerca de 90%, percentual equivalente à média nacional.