Entregadores de app pedem melhorias Categoria realizou uma mobilização nacional, chamada de #Brequedosapps. Governo do estado prometeu intermediar o diálogo com empresas

Tatiana Notaro
ESPECIAL PARA O DIARIO
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Publicação: 02/07/2020 03:00

Por todo o país, ontem foi o dia do #Brequedosapps, mobilização dos trabalhadores que atuam em entregas solicitadas via aplicativos. Na extensa pauta de reivindicações, a categoria pede por melhores condições de trabalho e pela revisão dos valores pagos por entrega, segundo explica a Associação dos Motofretistas de Pernambuco (Amope). O ato terminou em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. Ficou acordado que o executivo vai intermediar o diálogo entre a Amope e a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). Uma pauta deverá ser entregue até amanhã.

Segundo a Amope, aqui, o ato teve 70% de adesão e em torno de 500 motoboys participaram ativamente, a partir da saída do grupo das imediações do Classic Hall, em Olinda. Motoboy e membro da diretoria da associação, Jeison Lima disse que viu suas entregas aumentarem 300% desde que começou a pandemia, mas não foi revertido em renda. Ele disse que a causa é o número de entregadores disponíveis. A concorrência impacta na renda.

No entanto, a questão vai além. Segundo a procuradora do Ministério Público do Trabalho em Pernambuco (MPT-PE), Vanessa Patriota, desde o início da pandemia, as empresas cortaram bonificações. “Uma delas dava R$ 5 de bônus a cada cinco entregas feitas, e isso foi cortado. Foi retirado também o incentivo por trabalho aos domingos e feriados”, exemplifica. Por outro lado, uma pesquisa da qual a procuradora participou indicou que houve aumento de 30% na demanda pelos serviços de entrega desde o início do isolamento social, mas isso não repercutiu da remuneração de quem o executa. “As empresas se valeram do exército de desempregados para cortar a bonificação. Além disso, há mais gente fazendo pedido de feira no supermercados, aí o empregador passa uma hora cumprindo essa tarefa e recebe por ela os mesmos R$ 5”, continua a procuradora.

Vanessa Patriota também explica que a média de renda narrada por Jeison não é a de praxe. “Não é regra. Praticamente dobrou o número de entregadores que recebem em torno de R$ 260 por semana. É praticamente um salário mínimo por mês. Os que chegam além disso são aqueles que estão entre os que trabalham mais de 15 horas por dia. Chega a quase 59% os que tiveram redução na remuneração por causa do corte de incentivos”. É preciso ainda levar em consideração que são os entregadores que arcam com custos do veículo, do combustível e com todos os riscos da atividades. “O Infosiga, que mede o número de acidentes de trânsito em São Paulo, indicou um aumento de 47,3% no número de mortes de motociclistas entre março e abril”, acrescenta.

As empresas

O Diario fez contato com as maiores empresas de aplicativos de entregas. As que responderam, se posicionaram por nota. A Uber Eats, parte da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), afirmou que implementou, desde o início da pandemia, “diversas ações de apoio aos entregadores parceiro, tais como a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, como máscara, álcool em gel e desinfetante, e a criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com Covid-19 ou em grupos de risco”. Afirmou também que “entregadores parceiros cadastrados nas plataformas estão cobertos por seguro contra acidentes pessoais durante as entregas”.

Já o IFood explicou que  toda sua rota tem valor mínimo de R$ 5, “mas a média é muito superior, ficando entre R$ 8 e R$ 9” e que fez, desde o início de abril, “a distribuição gratuita maciça e recorrente de EPIs para os entregadores.