Mercado de trabalho em queda e dados em branco Pausa na divulgação nos números oficiais de emprego no país, dificulta mapeamento da situação do emprego e a elaboração de políticas de enfrentamento

Tatiana Notaro
ESPECIAL PARA O DIARIO
tatiana.notaro@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 01/08/2020 03:00

Nos últimos meses, o Fórum Nacional de Secretarias Estaduais do Trabalho (Fonset) pedia acesso aos dados do emprego no Brasil. De janeiro a abril, as tabelas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), principal medidor do mercado formal no país, ficaram em branco, voltando a ser atualizadas em maio, menos detalhadas que antes. Os dados mostram que as demissões caíram pelo quarto mês seguido, mas ainda se mantém em patamar altíssimo: o saldo que ficou negativo em 918.286 vagas em abril involuiu para -10.984 em junho.

Segundo o presidente do Fonset e secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Davidson Magalhães, a ausência dos dados do Caged impedem o acompanhamento das vagas formais. “Os resultados da Pnad serão fundamentais porque, no caso do Nordeste, o trabalho informal supera, agora, o formal. Apenas com o Caged, não temos uma visão correta”, diz, referindo-se à Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio, do IBGE.

Economista da Fecomércio Pernambuco, Rafael Ramos lembra que os dados oficiais ficaram restritos apenas aos grandes setores econômicos,  limitando os levantamentos que eram feitos antes com informações da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae). Para Ramos, a ausência de dados dificulta eficiência de políticas públicas de geração de emprego e renda.

O acesso a dados oficiais e a transparência desses são as melhores bases para a formatação de políticas públicas. Mas na ausência de informações é possível usar cenários anteriores para criar estimativas. Como explica o economista e professor da Unit-PE, Edgard Leonardo, as projeções usam parâmetros e requerem muito mais trabalho, mas podem ser referências. “Pode-se estudar o impacto do PIB: se ele vinha caindo 3,5%, quanto seria o impacto de uma queda de 6%?”, exemplifica.

RENDA
A queda no saldo desempregados formais, apontada pelo último Caged, ainda não pode ser vista como uma tendência, segundo Edgard Leonardo. E quando se fala de mercado de trabalho em frangalhos, um dos pontos a se preocupar é com a queda da renda do cidadão, redução do poder de consumo e o aumento da pobreza.

Leonardo diz que a injeção de recursos - como o auxílio emergencial e a liberação do FGTS - tem um impacto positivo. “Algumas pesquisas mostraram que o impacto dessas medidas podem chegar a até 2 pontos percentuais do PIB. Ou seja, uma queda estimada de 3,5% e terminou com o FMI falando em 9,1%, podendo ser arrefecida por essa injeção de recursos”, explica.
 
Dados

Investimentos e perspectivas de geração de empregos em Pernambuco


2020

Pincéis Roma
80 empregos  - Nazaré da Mata

Noto Atacado de Alimentos
1.200 empregos - Carpina, Vitória de Santo Antão, Arcoverde e Santa Cruz

Marilan Alimentos
190 empregos - Igarassu

Rio Bonito NE Fabricação de Embalagens
140 empregos - Bonito
 
2021

Tramontina
200 empregos - Moreno

Ventisol
250 empregos - Glória do Goitá

Shopping Arcoverde
600 empregos - Arcoverde

Fante Indústria de Bebidas
80 empregos - Vitória de Santo Antão

Sada Transporte e Armazenagem
300 empregos - Goiana

Metalúrgia Mor
127 empregos - São Lourenço da Mata

Fonte: ADDiper/Sdec-PE