Empregos ainda sob forte impacto da pandemia Brasil, Nordeste e Pernambuco têm saldo negativo nos meses de maior isolamento social imposto pelo combate à Covid-19, mas tentam respirar desde junho

Luciana Morosini
luciana.morosini@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 16/09/2020 03:00

Se o Brasil ainda buscava uma recuperação lenta e gradual da economia, a pandemia do coronavírus fez com que a situação retrocedesse, com impactos que atingem o Nordeste e Pernambuco de forma direta. O mercado de trabalho foi bastante afetado, tanto que números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que houve recuo de 1,5 milhão de empregos formais entre março e maio deste ano no país. Estudo de âmbito regional realizado pela Ceplan Consultoria aponta que, do total, 16% das perdas foram no Nordeste, com a retração de 261 mil postos. Já em Pernambuco o saldo negativo atingiu 63,4 mil vagas de trabalho no mesmo período.

Entre janeiro e fevereiro, o Brasil tinha saldo positivo de 342 mil postos de emprego, quadro que se reverteu com a chegada repentina da pandemia. “O isolamento social atingiu mercados importantes, como os de São Paulo, Rio de Janeiro e as metrópoles nordestinas”, explica a economista Tânia Bacelar, sócia da Ceplan. O Nordeste e Pernambuco não seguiam a mesma tendência positiva nos dois primeiros meses do ano e também foram impactados pela pandemia. A região estava com saldo negativo de 292 empregos, atingindo 261 mil entre março e maio. Já Pernambuco tinha perda de 827 vagas, atingindo 63,4 mil. “Os dois já não vinham positivos e tiveram queda significativa nos meses que pandemia atinge. Mas ambos tentam respirar entre junho e julho”, acrescenta. Nesses dois últimos meses, o Nordeste teve saldo positivo de 19,6 mil postos, enquanto Pernambuco ficou com 1,2 mil.

O estado teve reflexos diferentes em cada região em relação ao saldo da movimentação de emprego formal. A Zona da Mata foi a mesorregião mais impactada negativamente, com 24% do saldo e 11% do estoque de formais, de janeiro e julho. “A questão não foi apenas a pandemia na região, lá tem o complexo sucroalcooleiro, que perde emprego no começo do ano e ganha vagas no segundo semestre. Mas agrega a isso os impactos da pandemia”, afirma Tânia Bacelar. O Agreste foi o segundo mais impactado, com 7% do saldo e 15% do estoque. Em contrapartida, o Vale do São Francisco foi o destaque positivo, com saldo de 0,6% e estoque de 6,3%. “A pandemia começou pelo litoral e, desde junho, ficou mais forte no interior. Então houve uma resistência melhor na base produtiva agrícola”, acrescenta.

Em relação às atividades econômicas, Pernambuco se destacou na área de Saúde humana e Serviços sociais, com 5.092 postos de emprego. Este foi o único resultado positivo. Entre os negativos, destaque para Indústrias de transformação, com recuo de 19.012 postos, seguido de Comércio e varejo, com retração de 16.238 empregos. “A indústria da transformação tem um peso grande no mercado de trabalho para o complexo predominante da Zona da Mata”, destaca Tânia Bacelar. Para Jorge Jatobá, economista e sócio da Ceplan Consultoria, o resultado impacta também sobre a renda. “Houve uma queda na massa de rendimento de 91% no estado e isso é o que alimenta o consumo”, conclui.