PIB do estado acumula queda de 4,5% Com influência negativa principalmente nos setores de indústria e de serviços, Produto Interno Bruto teve maior queda desde 2002

Tatiana Notaro
ESPECIAL PARA O DIARIO
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Publicação: 16/09/2020 03:00

O impacto esperado pela pandemia da Covid-19 se confirmou e o Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco acumula queda de 4,5% em 2020. O índice, que tem influência negativa dos setores da indústria (-14,7%) e de serviços (-8,9%), foi menos negativo que o resultado nacional, de -5,9%. No segundo trimestre (abril a junho), a queda foi de 9,6% com relação ao mesmo período de 2019. Os resultados foram apresentados ontem pela Agência Condepe/Fidem.

O setor da agropecuária que teve rendimento positivo de 4,5% no acumulado do ano, arrefecendo a queda, especialmente pelo desempenho das lavouras temporárias, que tiveram alta de 13,9% com as safras de cana-de-açúcar, milho, abacaxi e melancia. Já na pecuária, o desempenho positivo de 2,4% está relacionado ao setor avícola.

Com relação à indústria, o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Agência, Rodolfo Guimarães, relembrou que a economia do estado, que tinha passado por mudanças com a implantação do polo automotivo da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e com o refino de Petróleo sofreu com as quedas das duas atividades.

“No segundo trimestre deste ano, a indústria de transformação sofreu queda de 14,7%, acima da nacional, de 12,7%, depois de ter se mantido ainda positivo no primeiro trimestre. Nossa dinâmica industrial vinha acima da do Brasil desde a recuperação da crise de 2016”, explicou. Com relação ao segundo trimestre de 2019, o recorte de 2020 mostra o quanto as economias nacional e pernambucana perderam com a pandemia. Enquanto o Brasil teve queda de 11,4%, o estado ficou negativo em 9,6%.

Queda histórica
“A queda registrada é a maior dentro da série desde 2002, quando a gente teve esse número detalhado trimestralmente. Veio dentro das expectativas, os números já vinham indicando nas análises mensais. E a queda não se dá apenas no segundo trimestre do ano, mas começa já em março”, pontuou a consultora da Condepe/Fidem, Cláudia Pereira.

Segundo o diretor Executivo de Estudos, Pesquisas e Estatística, Maurílio Soares, já se observa alguma reação. “Os resultados  vão depender de outras medidas adotadas pelos governos estadual e federal de estímulo às atividades. Todo gestor espera fazer que a economia cresça para que se volte a gerar empregos”.