FMI projeta queda no crescimento do Brasil Relatório sobre as perspectivas da economia mundial indica uma diminuição 5,3% para 5,2% em 2021 e de 1,9% para 1,5% no próximo ano

Publicação: 13/10/2021 03:00

O Brasil segue em trajetória oposta ao grupo dos países da América Latina e Caribe. Divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o relatório World Economic Outlook (Perspectivas da Economia Mundial) indicou uma leve queda, de 5,3% para 5,2%, na projeção do crescimento anual brasileiro quando comparado a dados de julho. A região teve o crescimento projetado em 6,3% , representando 0,5 ponto percentual acima da análise anterior.

A expectativa de crescimento do Brasil fica abaixo da média prevista para o mundo, de 5,9% para este ano e que em julho foi projetada em 6%, bem como dos das economias emergentes, com 6,4%. Em relação à China e à Índia, a melhora econômica local parece ainda mais modesta para 2021, com estes dois países tendo projeções de 8% e 9,5%, respectivamente. Por outro lado, deve superar o crescimento do Japão, 2,4%; Alemanha, 3,1%, e dos países da Zona do Euro, 5,0%.

A alta projetada para a América Latina e Caribe neste ano teve reflexo negativo para 2022, anotando-se uma queda de 0,2 ponto percentual, ficando os países latinos e caribenhos com 3% no próximo ano.

Quanto ao Brasil, o crescimento para 2022 despencou 0,4 ponto percentual, ficando em 1,5%. Será a metade do prevista para América Latina e Caribe e menos de um terço do crescimento previsto para o mundo, que, conforme dados do relatório, ficará em 4,9%. Por sua vez, as economias emergentes alcançarão 5,1%. No ano passado, entretanto, a economia brasileiro sofreu redução de 4,1%, enquanto a média da América Latina e Caribe foi de 7%.

Entre as grandes economias, a dos Estados Unidos teve uma projeção reduzida para 2021. A alta vista pelo FMI é agora de 6%, enquanto a do relatório de julho era de 7%. O grupo formado pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia e Vietnã, segundo o fundo, terá um impacto negativo maior para este ano. O crescimento de 4,3% caiu para 2,9%.

Os indicadores também apresentaram piora quanto à inflação no mundo. No caso do Brasil,  enquanto o Banco Central avalia que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegará a 8,59% neste ano, o FMI aguarda alta de 7,9%. Em abril, o fundo projetava 4,5%. “Olhando à frente, a inflação (mundial) deve atingir o pico nos últimos meses de 2021, devendo retornar aos níveis pré-pandemia até meados de 2022 tanto para economias avançadas quanto países dos mercados emergentes, e com riscos voltados para cima”, afirma o relatório do FMI sobre a inflação mundial.