PIB cresce pelo terceiro mês consecutivo Indicador da Fundação Getulio Vargas aponta avanço de 0,3% em abril ante março e de 3,9% na comparação entre abril de 2022 e abril de 2021

Publicação: 23/06/2022 03:00

O Produto Interno Brasileiro (PIB) cresceu 0,3% em abril em relação a março, a terceira alta consecutiva do ano. O número é do Monitor do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). A expansão é maior ao se comparar abril deste ano com abril de 2021, registrando avanço de 3,6%.

Apesar do crescimento, a pesquisa indica um desempenho de retração em diversos setores econômicos e o prenúncio de que o quadro se agrave devido ao pleito eleitoral de 2022. O Monitor do PIB costuma ser a tendência do PIB oficial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e com o resultado do primeiro trimestre deste ano a ser divulgado em julho.

O consumo das famílias, assim como o PIB, cresceu pelo terceiro mês consecutivo em abril. “Mas observamos o movimento que, para elas, também é mais arriscado investir. Por exemplo, a compra de eletrodomésticos, ou seja, bens duráveis, é motivo de dúvida para essas famílias que podem esperar para comprar depois”, explica Cláudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre-FGV.

A alta no consumo das famílias foi de 4,8% no trimestre móvel encerrado em abril de 2022 com relação ao mesmo período do ano passado. O consumo de serviços (7,5%), de bens não duráveis (2,1%) e de bens semiduráveis (13,3%) foi responsável por esse crescimento. Em contrapartida, o consumo de bens duráveis registrou queda.

De acordo com o pesquisador, o principal motivo para a retração no comportamento do consumidor é o período eleitoral, que exige diferentes estratégias por parte do governo. “É um ano muito confuso, cheio de incertezas para investimentos. Medidas como liberar o décimo terceiro para aposentados e pensionistas podem contribuir para mitigar a retração econômica”, avalia.

O único segmento de consumo a retrair em abril foi o de produtos duráveis, com redução de 5,8% no consumo, o que pode ser reflexo da elevação da taxa de juros e das incertezas com relação ao desempenho econômico e político no ano eleitoral. Estima-se que o acumulado do PIB até abril, em valores correntes, foi de R$ 2,98 trilhões.