Extrema direita sai vencedora na Argentina Javier Milei, de 53 anos, venceu o peronista Sergio Massa, com 55% dos votos. Entre as promessas de campanha estão o fechamento do Banco Central

Publicação: 20/11/2023 03:00

Os argentinos elegeram, ontem, o líder libertário e de extrema direita Javier Milei como seu próximo presidente, reconheceu seu rival, o ministro da Economia peronista Sergio Massa, em um discurso antes mesmo da publicação dos resultados oficiais.

Com uma inflação de três dígitos e no meio da pior crise econômica em duas décadas, 55,9% dos argentinos preferiram a plataforma de mudança do candidato antissistema Milei, contra 44% que votaram em Massa, segundo os resultados oficiais parciais.

“Os resultados não são o que esperávamos. Me comuniquei com Javier Milei para parabenizá-lo e desejar-lhe sorte porque é o presidente que a maioria dos argentinos elegeu para os próximos quatro anos”, disse Massa em seu comitê.

“A partir de amanhã (hoje) a responsabilidade de dar certezas é do novo presidente eleito e esperamos que assim o seja”, disse Massa.

O peronista acrescentou que serão iniciados “mecanismos de transição democráticos, para que os argentinos nos próximos 19 dias não tenham nem dúvidas nem incertezas a respeito do normal funcionamento econômico, social, político e institucional”.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva desejou “boa sorte e êxito” ao novo governo argentino, em mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter), sem mencionar o presidente eleito.

“Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu Lula.

O comando de campanha de Milei em Buenos Aires ficou lotado de seguidores que cantavam seu lema, “a casta tem medo”, em alusão à classe política, e também “Argentina sem Cristina”, em referência à vice-presidente Cristina Kirchner.

A posse de Milei, um economista de 53 anos, será em 10 de dezembro.  

O índice de participação no pleito foi de 76% em um universo de 35,8 milhões de eleitores.

Com uma inflação de 143% em termos anuais e a pobreza que afeta 40% da população, a Argentina enfrenta a pior conjuntura econômica nas últimas duas décadas.

Para recuperar a terceira maior economia da América Latina, Milei propõe medidas drásticas como a dolarização e o fechamento do Banco Central, para acabar com a inflação e a emissão de moeda. (AFP)