Governadores apoiam veto a reajustes de servidores Aguardando liberação de recursos, gestores não fizeram qualquer objeção contra o veto presidencial

Rosália Rangel
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Publicação: 22/05/2020 06:00

O congelamento dos salários dos servidores públicos, que se transformou no debate mais polêmico no Congresso durante a apreciação do projeto de auxílio financeiro para estados e municípios, terminou sendo ponto pacífico na reunião, ontem, entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partidos) e os governadores. Os gestores não fizeram qualquer interferência contra o veto presidencial do trecho que deixa várias categorias do funcionalismo de fora do congelamento.

Ao contrário disso, os governadores manifestaram apoio à decisão do presidente de vetar a parte referente aos salários dos servidores. Na realidade, o desejo dos gestores é rapidez na sanção do projeto. Eles aguardam os recursos para atenuar a crise financeira que afetou os estados por conta da pandemia da Covid-19. Em nota, o governador Paulo Câmara (PSB) disse que aguardava a sanção, ainda, na tarde de ontem, como sinalizou Bolsonaro durante a reunião. Apesar da previsão, até o fechamento desta edição, o documento não havia sido publicado.

“Os efeitos da pandemia da Covid-19 na saúde e na economia são conhecidos de todos, e muito graves. O projeto de socorro aos estados e municípios espera a sanção do presidente há duas semanas. Esperamos que isso realmente se defina hoje (ontem), e que possamos contar com esses recursos para continuar enfrentando a epidemia e realizando os investimentos necessários para honrar os compromissos da gestão”, ponderou o socialista.

O governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, que falou em nome de todos os governadores, expôs o sentimento da maioria em relação ao veto presidencial. “É o momento da unidade nacional. Todos nós estamos dando uma cota de sacrifício. É um momento ímpar na história do país, e a maioria dos governadores entende ser importante vetar esse artigo dos aumentos salariais”, assegurou o gestor”, ao mesmo tempo que pediu ao presidente a sanção do projeto.

De acordo com o presidente, serão vetados quatro dispositivos, e ele pediu apoio para que esse vetos sejam mantidos pelo Congresso. “Essa é a cota de sacrifício dos servidores, pela proposta que está aqui, de não ter reajuste até 31 de dezembro do ano que vem. É bom para o servidor, porque o remédio é o menos amargo, mas é de extrema importância para todos os 210 milhões de habitantes”, disse Bolsonaro. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participaram do encontro.

O Projeto de Lei Complementar (PLC) 39/20 garante auxílio financeiro de até R$ 125 bilhões a estados, municípios e ao Distrito Federal, tendo como contrapartida a suspensão de reajuste dos servidores. Desse total serão repassados diretamente R$ 60 bilhões para estados e municípios. A previsão é que Pernambuco receba R$ 1,4 bilhão, em quatro parcelas. (Com Agência Brasil)