PAINEL POLíTICO » Inteligência

por Camila Mattoso / Folhapres
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Publicação: 23/05/2020 09:00

A declaração de Jair Bolsonaro nesta sexta à Jovem Pan para tentar justificar o que seria seu sistema particular de informações foi considerada um tiro no pé por advogados criminalistas e ministros de cortes superiores. Ele afirmou que policiais são as fontes dos dados que recebe justamente no momento em que autoridades investigam a denúncia de Paulo Marinho de que a família do presidente soube antecipadamente de uma operação da Polícia Federal por um vazamento.

Canais - Em entrevista à Folha, o empresário acusou Flávio Bolsonaro de ter recebido informação de um delegado da PF sobre investigações de Fabrício Queiroz, ex-assessor da família, entre o primeiro e o segundo turno da eleição, em 2018. A Folha mostrou nesta semana que outro caso semelhante ocorreu em agosto do passado.

Minha Abin - A fala de Bolsonaro na reunião ministerial trouxe à tona de novo a desconfiança sobre um sistema de informação paralelo no governo.

Clareza - O principal ponto que confirma que Bolsonaro fazia referência à PF do Rio para investigadores, é o fato de ele ter mencionado ‘amigos’ no contexto, o que não é de responsabilidade da segurança oferecida pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Nada - O Painel perguntou para a pasta se cuida de algum amigo do presidente, mas não houve resposta.

Protegidos - Em agosto de 2019, Bolsonaro se irritou com uma investigação no Rio em que apareceu um homônimo de Hélio Negão, que é seu aliado. O presidente e Sergio Moro sustentavam que havia uma fraude, mas o Ministério Público disse que não viu problema no inquérito.

Propaganda - Nos bastidores do meio político, a avaliação é que Bolsonaro mais ganhou do que perdeu com a divulgação do vídeo. O ex-ministro Sergio Moro aponta o encontro como prova do seu relato, de interferência do presidente na PF.

Ok - A íntegra, no entanto, mostra um Bolsonaro que xinga os contumazes adversários, como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), e fala do desespero das pessoas sem renda durante o isolamento. Para líderes do centrão, o vídeo não comprova as acusações e, portanto, terá pouca repercussão no Congresso.

Pressão - A Secretaria de Comunicação do governo Jair Bolsonaro apagou um tuíte publicado na quinta (21) em que dizia que a “hidroxicloroquina é o tratamento mais eficaz contra o coronavírus atualmente disponível”.

Fiscais - No Twitter, centenas de usuários relataram ter denunciado a publicação como “incitação ao suicídio”, na tentativa de que a plataforma excluísse o conteúdo. No entanto, antes que a empresa tomasse qualquer decisão, a Secom presidencial apagou a mensagem. Não há comprovação científica do uso do remédio para Covid-19.

Pausa - O delegado Márcio Adriano Anselmo, um dos responsáveis pelas investigações que deram início à Lava Jato, vai deixar o posto de coordenador-geral de Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro da Polícia Federal. Ele vai fazer um curso nos Estados Unidos.

Contratação - Anselmo será substituído pelo delegado Thiago Delabary, atual chefe da Inteligência do Rio Grande do Sul. O policial fez parte do grupo que investigava desvios de recursos públicos com envolvimento de políticos no exercício do mandato. Ele fez, por exemplo, a delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci.

Lista - O apresentador de TV e presidenciável Luciano Huck publicou uma mensagem nas redes sociais em que elenca razões para mostrar que o Brasil está sem controle no governo Jair Bolsonaro. Entre elas, ele aponta a nomeação de um advogado criminalista para o Ministério da Saúde.

Tiroteio

"General Heleno envergonha a farda. Não haverá espaço para maiores retrocessos democráticos. Resistiremos"
Do advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, sobre a nota do ministro do GSI