DIARIO POLíTICO » Novos rumos

por Marisa Gibson
marisa.gibson@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 23/05/2020 03:00

É demolidor o vídeo da reunião ministerial colocado como prova contra o presidente da República pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Tem potencialidade de incendiar adversários e aliados do governo Bolsonaro e com o agravante de esgarçar ainda mais a frágil governabilidade que vem mantendo o país em pé. Uma nova realidade política está colocada perante o Congresso Nacional e a sociedade brasileira. Para o bem ou para o mal, o Supremo Tribunal Federal, através do ministro Celso de Mello, fez a sua parte liberando a divulgação do vídeo. Agora é esperar o dia seguinte.

E o Brasil, que sequer conseguiu debelar a Covid-19 que continua apagando a vida de milhares de brasileiros, se vê diante do agravamento de uma crise política capaz de desmontar o governo Bolsonaro, contra quem há mais de 30 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados. Quem apagará os incêndios quando as manifestações, ainda que proibidas pelas quarentenas para conter a pandemia, chegarem às ruas para protestar contra um presidente ameaçador por vocação e tendo do outro lado manifestações de estímulos ao seu estilo?

É difícil imaginar como o governo será visto a partir de agora. Até que ponto o presidente vai conseguir manter em sua equipe ministros que explodem desrespeitosamente ao falar sobre determinados assuntos. Pode-se até argumentar que a reunião era reservada e que nada do que foi dito chegaria ao conhecimento público. Mesmo assim, o risco de vazamentos sempre existe. A já histórica reunião ministerial de 22 de abril não permaneceria em segredo para sempre e o presidente caiu na armadilha do excesso de confiança. O estrago está feito.   

Campo de batalha
Com as eleições praticamente definidas para 15 de novembro, governistas e oposicionistas já estão municiados para iniciar a campanha para a Prefeitura do Recife tão logo a Covid-19 dê espaço para a atividade eleitoral. Por enquanto o tiroteio está localizado na área da justiça com ações contra atos praticados pela Prefeitura do Recife, governo do estado e governo federal no combate à pandemia, mas o discurso está na ponta da língua de todas as lideranças que participam do processo da sucessão de Geraldo Julio (PSB).

Fator Bolsonaro
Os governistas, cujo candidato no Recife é o deputado federal João Campos (PSB), apostam numa queda vertiginosa da popularidade de Bolsonaro, o que será determinante para um fraco desempenho dos oposicionistas nas urnas, sejam aliados do presidente ou que já flertaram com o bolsonarismo. Integrantes da Frente Popular acham que o desgaste de Bolsonaro, que se elegeu como um outsider, é tanto que reduz a zero as chances de candidatos dessa categoria em qualquer capital.

Gestão do PSB
Para a oposição, a nacionalização da campanha é de interesse do PSB, “mas o grande debate da eleição não é Bolsonaro. É a cidade do Recife. O importante é que o recifense não está satisfeito com a gestão do PSB na cidade”, destaca Mendonça Filho (DEM), um dos pré-candidatos a prefeito das forças de oposição junto com o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania). Há ainda as pré-candidaturas do deputado estadual Alberto Feitosa (PSC) e da delegada Patrícia Domingos (Podemos).

Em junho
Mendonça Filho e Daniel Coelho consideram que em junho a oposição deve definir quem será o candidato no Recife. “No momento, temos que respeitar o sofrimento do povo com a pandemia, mas continuamos defendendo a união da aliança entre DEM, Cidadania, o clã dos Ferreira, o PTB de Armando Neto e o PSDB de Bruno Araújo”, ressalta Daniel.

Se não mudar
Está marcado para o fim deste mês, o encontro do diretório do PT no Recife para declarar guerra ou aceitar a candidatura da deputada federal Marília Arraes para a prefeitura. Marília tem o discurso crítico ao governo Bolsonaro e à gestão do PSB na cidade e no estado.