O que fazer para melhorar a saúde no Recife? Diario inicia série de reportagens sobre os planos dos candidatos a prefeito do Recife para um tema específico, com base nos programas de governo

Ananda Barcellos
especial para o Diario
politica@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 17/10/2020 03:00

A quatro semanas das eleições, o Diario  inicia uma série de reportagens sobre os planos dos 11 candidatos a prefeito do Recife para um tema específico, sempre com base nos  programas de governo. Neste primeiro capítulo, vamos abordar o tema saúde. Nos próximos três fins de semana, a série vai mostrar as propostas dos candidatos para educação, infraestrutura e mobilidade.

Segundo o portal da Prefeitura do Recife, a cidade conta com mais de 250 unidades de atendimento. Apesar dos equipamentos disponíveis, ver pessoas dormindo na fila para conseguir atendimento ainda é comum nas ruas da cidade. Os prefeituráveis apresentaram projetos para tentar mudar esse cenário.

Carlos (PSL)

O candidato pelo PSL afirmou à reportagem do Diario que, se eleito, implantará o programa Corujão, existente em São Paulo. O projeto consiste em abrir unidades de atendimento no período da noite para a realização de exames. Para Carlos Andrade, a iniciativa diminuirá a fila das UPAs.

Outro projeto que Carlos destacou foi o investimento em teletriagem e telemedicina. O candidato afirmou que em seu governo, se eleito, a internet será tratada como necessidade essencial, tal como luz e água. “A gente tem que priorizar a velocidade do sistema de saúde. A doença não espera”, destacou.

Outros pontos que constam em seu plano de governo são a conscientização da importância das vacinas e um diálogo maior com a comunidade.

Charbel (Novo)

O candidato pelo Partido Novo busca a estruturação do sistema de saúde. A proposta é informatizar e “integralizar” todo o sistema do município. Para o candidato, isso irá controlar melhor o estoque de medicamento e os gastos. Charbel também apresentou sua ideia de implantar um prontuário eletrônico em toda a cidade, de maneira que as informações dos pacientes fiquem registradas, economizando tempo de fila e consulta, além de uma triagem on-line.

“Toda doença tem que ser tratada no início. Vamos acompanhar as pessoas mais facilmente”, ressaltou. Outro projeto existente no plano de governo do candidato é o investimento em consultas pré-natais. Segundo o candidato, os projetos serão viáveis através de parcerias público-privadas.

Cláudia Ribeiro (PSTU)

A candidata pelo PSTU, Cláudia Ribeiro, afirmou, em entrevista ao Diario, que seu primeiro plano para o Recife em relação à saúde, caso eleita, é acabar com a terceirização em UPAs. Segundo Cláudia, a terceirização promove o sucateamento da rede de saúde pública, além de precarizar as condições dos trabalhadores da categoria.

“A saúde não pode ser moeda de troca, ninguém deveria lucrar com isso, saúde não rima com lucro, ninguém pode enriquecer com esse direito básico”, destacou.

Outros planos da candidata do PSTU são: acabar com as relações público-privadas, com a lei de responsabilidade fiscal e com a fila dupla. Para Ribeiro, essas ações deverão promover o fortalecimento do SUS.

Coronel Feitosa (PSC)


O candidato pelo PSC, Coronel Alberto Feitosa, afirmou que, se eleito, seu plano prioritário para a saúde do Recife seria zerar as filas de atendimento. Segundo Feitosa, o projeto seria viável através de prontuários eletrônicos, com marcações para consultas on-line, e parcerias público-privadas, possibilitando o uso de hospitais privados para exames durante os períodos noturnos.

Para Feitosa, o prontuário eletrônico também traria um atendimento mais humanizado, com todos os momentos registrados, desde a marcação da consulta até o final do tratamento. Além disso, o candidato afirmou que as informações dos pacientes ficariam acessíveis por qualquer hospital.  "Precisamos tornar o acesso à saúde mais fácil", destacou.

João Campos (PSB)


Os planos de governo para a saúde do Recife de João Campos (PSB) citam a garantia do direito à saúde para todos os recifenses. Segundo o documento, Campos assume o compromisso de promover “cobertura ainda maior da atenção básica, com ampliação da quantidade de equipes de saúde da família, consolidando a abordagem preventiva para promoção e universalização da saúde", pontua um trecho do plano.

O candidato também tem em seu plano a melhoria no portal de serviço de saúde e na infraestrutura - através de modernizações nos equipamentos, "difundindo informações como campanhas, mutirões, horários de atendimento e unidades mais próximas, estimulando e multiplicando práticas de atendimento humanizado.

Marco Aurélio (PRTB)

O candidato pelo PRTB tem em seu plano a ideia de distribuir medicamentos aos cidadãos recifenses, através de entregas em casa. "Ninguém toma remédio porque quer. Esses medicamentos têm que chegar na casa de quem precisa", ressaltou.  Marco Aurélio também afirmou que, se eleito, entregará uma nova Unidade de Pronto Atendimento especializada e novos postos de saúde, além de melhorar o salário dos trabalhadores da área.

Marco Aurélio quer também garantir um canal de diálogo aberto com a população para estabelecer novos protocolos de saúde para a cidade. Seus planos seriam viáveis a partir do corte nos cargos comissionados no Recife.

Marília Arraes (PT)


A candidata pelo Partido dos Trabalhadores tem em seu plano de governo a defesa do SUS. Segundo o documento, se eleita, o seu governo terá como uma das pautas a recuperação do Sistema Único de Saúde, atentando para a valorização dos profissionais da área e a garantia da segurança alimentar. “Vamos retomar o investimento na atenção básica, com a valorização e estruturação das equipes de saúde das famílias e as unidades de atenção primária”, pontuou a candidata à reportagem do Diario .

Além disso,  Marília destacou a sua proposta de modernizar o sistema de marcação de consultas e exames, como uma forma de diminuir o tempo de espera para o atendimento.

Mendonça Filho (DEM)


O candidato pelo DEM tem em seu plano de governo uma série de investimentos no setor da saúde. Dentre eles, está o investimento na saúde preventiva, na tecnologia no setor da saúde e em prontuários eletrônicos.

Mendonça também tem, em seu plano de governo, uma proposta de “Aniversário de saúde”, consistindo em acesso a exames anuais para todo recifense no mês de seu aniversário. O arquivo também apresenta projetos de melhorias no acesso a exames pré-natal e reestruturação de centros psicossociais, além da promoção da humanização nos atendimentos e o investimento em programas de recuperação de drogas.

Patrícia Domingos (Podemos)


A candidata pelo Podemos afirmou, em entrevista concedida ao Diario que, se for eleita, seu governo terá a atenção básica - em relação à saúde - como prioridade. Patrícia Domingos também apontou a importância do investimento no saneamento básico.

“É preciso melhorar o saneamento do Recife. É difícil dar atendimento médico às pessoas quando a causa dos problemas não é resolvida”, pontuou a delegada.

Outros planos da candidata são: zerar as filas dos exames e consultas, aumentar as especialidades das equipes médicas do sistema público e ampliar o quadro de agentes de saúde. De acordo com a candidata, as propostas serão viáveis a partir de parcerias público-privadas.

Thiago Santos (UP)

O candidato do UP, Thiago Santos, afirmou à reportagem do Diario que, se eleito, priorizará o fim da terceirização no sistema público de saúde. Segundo Thiago, esse primeiro plano liberará dinheiro para a cidade investir no setor de saúde sem depender de iniciativas privadas. “Não se pode tirar lucro da saúde”, disse o candidato.

Entre outros projetos de Thiago está o investimento em postos de saúde e em saúde pré-natal, além da implantação de Institutos Tecnológicos Populares, convocação dos aprovados nos concursos da área de saúde, ampliação da distribuição de métodos contraceptivos gratuitos e defesa do SUS. O candidato também fez um plano de combate à pandemia da Covid-19.

Victor Assis (PCO)


O candidato Victor Assis (PCO) tem em seu plano de governo a estatização da saúde, ou seja, para o candidato, o melhor para a cidade seria o estado controlar a saúde. Assis afirmou à reportagem do Diario que, enquanto ficar à mercê das indústrias farmacêuticas, a população sofrerá com preços altos em medicamentos. “A saúde é um problema público, então é um assunto que deve ser conduzido pelo próprio Estado”, destacou Victor.

O representante do Partido da Causa Operária também apresentou sua ideia de contratação de pessoal médico, logo no início de seu possível governo, e uma distribuição em massa de medicamentos, além da exigência do cumprimento do isolamento social enquanto a vacina da Covid-19 não sair.