Aliados em guerra por vaga no Supremo Evangélicos e Centrão disputam indicação de nome. André Mendonça, em processo de fritura no Senado, é o preferido da ala religiosa

Publicação: 13/10/2021 03:00

A demora da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em sabatinar o ex-advogado-geral da União e pastor presbiteriano André Mendonça - indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) - provoca um cabo de guerra entre setores de sustentação do governo: evangélicos e Centrão. O presidente escolheu Mendonça oficialmente em julho.

Aliado próximo do presidente, o pastor Silas Malafaia partiu para cima dos ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil; Flávia Arruda, da Secretaria de Governo; e Fábio Faria, das Comunicações. Na última segunda, o líder evangélico divulgou vídeo nas redes sociais, no qual cobrou o trio a fazer a defesa veemente de Mendonça ao Supremo.

“É inacreditável que ministros de Bolsonaro, cujos gabinetes ficam no palácio do governo e são ministros políticos, são contra a indicação de André Mendonça para o STF”, reprovou, em tom agressivo. “Vou repetir aqui. Os ministros Ciro Nogueira, Fábio Faria e Flávia Arruda, que são políticos e ministros do palácio, são obrigados a defender a indicação do presidente Bolsonaro e a trabalhar em favor de Mendonça. Não querem? Saiam daí. Não podem estar aí”, disparou.

As declarações de Malafaia ocorreram um dia depois de a Folha de S. Paulo apontar que políticos do Centrão - grupo do qual fazem parte Ciro, Flávia e Fábio - articularam, durante um jantar, para que a indicação de Mendonça ao STF seja retirada e substituída pela do presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Cordeiro, apadrinhado pelo ministro da Casa Civil.

“Se o senhor Ciro Nogueira é a favor da indicação de André Mendonça, convoque a imprensa. Não é para mim, não. O senhor é obrigado a vir a público dar uma satisfação”, declarou o pastor. Os evangélicos são o principal pilar de sustentação da indicação de Mendonça e se esforçam mais do que o governo para que a escolha seja concretizada.

RESPOSTAS
Após a repercussão, Fábio Faria ligou para Malafaia e desmentiu a notícia. À reportagem, Flávia afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que foi pega de surpresa com o vídeo do pastor e ressaltou que não esteve em nenhum jantar de articulação sobre a sabatina de Mendonça.

“Sou um auxiliar do presidente da República e todas as suas determinações serão cumpridas sempre. Eu acho que falta informação a esse pastor sobre a nossa atuação”, afirmou Ciro Nogueira, segundo áudio compartilhado pelo site Cidade Verde.

Diante da manifestação, Malafaia usou as redes sociais ontem para afirmar que “já valeu” a divulgação do vídeo, já que Nogueira indicou que apoia a indicação de Mendonça ao STF. (Correio Braziliense e Estado de Minas)