Conselho cria câmara para discutir educação Papel da câmara, anunciada ontem por João Campos, será produzir e direcionar ações, formular estudos e propostas sobre temas voltadas para o segmento

Publicação: 25/11/2021 03:00

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), comandou ontem a primeira reunião do Conselho Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social do Recife (Cedes).
 
Formado por representantes de diversos setores da sociedade, o espaço é visto politicamente como uma abertura de diálogo direto da gestão com nomes de forte atuação e influência nos segmentos em que atuam. A primeira área escolhida para abrir o debate no conselho foi o da educação, ao se criar uma câmara temática. Entre os 53 conselheiros estão reitores de universidades, cientistas, artistas e religiosos.
 
Ao discursar no evento, realizado no Mar Hotel, o socialista deu o tom do direcionamento do Conselho. De acordo com ele, o objetivo do colegiado é “intensificar o canal de diálogo para acertar na governança”. “Só acerta quem escuta. Isso é um fórum de diálogo e discussão que faz parte da estratégia de participação social da nossa gestão”, reforçou, acrescentando que o órgão vai possibilitar que o governo “faça um debate sobre a cidade ouvindo aqueles que fazem a cidade”.
 
A primeira medida anunciada para o Cedes foi a criação de uma câmara temática voltada para a educação. A escolha pela área tem caráter simbólico para a gestão do socialista, que desde a campanha eleitoral apontou ela como uma de suas prioridades. A criação de outras câmaras temáticas, a partir da escuta dos conselheiros, deve ser anunciada na próxima reunião do conselho, em seis meses. Dentro do funcionamento do órgão, as câmaras temáticas terão um funcionamento temporário, para formular estudos e propostas sobre temas específicos.
 
Conselheiro, o professor e cientista Sílvio Meira frisou a importância de estratégias para a cidade. “A gente está em um momento muito especial em todas as cidades. As pandemias anteriores, as grandes pandemias do começo deste século e do século 14, modificaram dramaticamente o papel da cidade, as articulações nas cidades e entre as cidades”, afirmou. Agora, acrescentou, “as cidades que vão sair dessa pandemia de forma mais sustentável, mais acelerada, mais resiliente serão as cidades que desenharem estratégias, grandes estratégias, e conseguirem criar as competências, as habilidades e os recursos para se reposicionar e redesenhar sua presença na articulação global dos negócios”.
 
Sílvio Meira, de histórico profissional ligado à tecnologia, pontuou que a solução para a capital pernambucana será o cuidado com o ser humano. “O que eu penso é que muito antes da gente olhar pra tecnologia, a gente tem que olhar para as pessoas. A primeira coisa é básica: que competências e habilidades as pessoas do Recife têm que ter para serem cidadãos globais para competir no mundo inteiro. O nosso principal problema é como é que a gente desenha educação e cria oportunidades para maior quantidade possível de recifenses, que já estão aqui e para aqueles que a gente vai atrair pra cá”, completou.