CARNAVAL 2020 » Folia reverencia maestro e o Bloco das Flores Precursores, o maestro e a agremiação lírica serão os homenageados do carnaval do Recife

Publicação: 15/01/2020 03:00

O Maestro Edson Rodrigues e o Bloco das Flores serão os homenageados do carnaval do Recife neste ano. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Geraldo Julio (PSB), em transmissão ao vivo no Instagram. “Estou muito feliz. Eles mostram muito da nossa história, da nossa cultura, da força que o Recife tem nessa diversidade. Uma homenagem bonita que dá início ao carnaval”, afirmou o prefeito, que estava acompanhado da secretária de Cultura do Recife, Lêda Alves,  do presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Diego Rocha, e da secretária de Turismo e Lazer, Ana Paula Vilaça.

Edson pertence à chamada segunda geração do frevo, à qual coube a missão de dar continuaidade ao que compositores como Capiba e Nelson Ferreira fizeram pela cultura pernambucana. O artista escreveu uma parte considerável da história recente do gênero. Ele estreou no carnaval com a Orquestra Itapoã em 1957.

“É sempre bom quando as coisas acontecem sem que a gente espere. Sempre trabalhei no carnaval. Neste ano, comemoro 63 anos de folia. A música e o carnaval me deram grandes alegrias. Por causa deles eu conheci o mundo, tocando o frevo, mostrando a nossa cultura. É uma emoção muito legal. Temos que estar prontos para as coisas boas da vida, e essa é uma das coisas legais que aconteceram comigo ainda vivo”, ressaltou.

Outros ritmos também embalaram a sua carreira. Ele foi pioneiro na introdução do jazz na capital pernambucana. Fundou a Banda Municipal do Recife, da qual foi regente de 1979 a 1983. Também é graduado em jornalismo, geografia e música, tendo atuado como professor do Conservatório Pernambucano de Música por muitos anos.

Já o Bloco das Flores foi a primeira agremiação carnavalesca liríca criada no Recife, em 1920. Surgiu a partir da reunião de um grupo de intelectuais, amigos e foliões, a exemplo de jornalistas, artistas e compositores de carnavais saudosos, como Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon e Raul Morais.

O bloco chegou a interromper suas atividades por alguns anos, por consequência do falecimento do seu benfeitor Pedro Salgado e também de Raul Moraes, compositor e regente da orquestra. Em 2000, uma nova geração de intelectuais e artistas resolveu fundar um bloco lírico e batizá-lo com o mesmo nome, em honra á agramiação e à festa de outrora. Desde então, o Bloco das Flores se apresenta anualmente, arrastando multidões atrás da orquestra de pau e corda.

“Não é todo dia que se faz 100 anos. Nada paga a emoção de hoje, o que vamos passar ainda no carnaval, o trabalho que nós estamos tendo, nossa fantasia. É uma sensação inexplicável. Gostaria de agradecer e dizer que é muito gratificante esse reconhecimento”, afirmou a presidente Zenaide Araújo.