Terminais seguem aglomerando pessoas Concentrações de passageiros continuam mesmo após decisão que manda empresas tomarem providências para minimizar o risco de contágio

Publicação: 26/03/2020 03:00

Um problema frequente na rotina dos pernambucanos que precisam se deslocar de ônibus se torna ainda mais grave em meio à pandemia. A superlotação dos coletivos favorece a circulação do novo coronavírus e contraria as recomendações das autoridades sanitárias.

Para garantir que os ônibus circulem com menos gente, uma portaria do governo do estado determinou a circulação de transporte público na Região Metropolitana do Recife com passageiros sentados e proibiu a aglomeração nos terminais integrados.

Apesar da orientação de manter a distância mínima de um metro entre as pessoas, os terminais continuam cheios, principalmente nos horários de pico, na ida e volta ao trabalho. Ontem, a segurança foi reforçada nos terminais de Joana Bezerra e Macaxeira, no Recife, além do PE-15 (Olinda), e Pelópidas Silveira (Paulista).

A Operação TI seguro é realizada em conjunto com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). “Com apoio dos demais órgãos municipais de ordenamento e controle urbano, o objetivo é garantir o trabalho de fiscais, impedir o comércio irregular na área, manter a tranquilidade na formação de filas, resguardar a distância recomendada pela saúde pública e evitar que os coletivos deixem o terminal com lotação. Contamos com a colaboração de todos nesse momento tão importante de prevenção e contenção da Covid-19”, disse o tenente coronel Luiz Cláudio Brito, porta-voz da Polícia Militar.

Todas as operadoras do Sistema de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana do Recife devem evitar a aglomeração de passageiros, tanto nas filas de espera dos ônibus, como dentro dos veículos. Para cumprir as exigências da portaria, as operadoras deverão disponibilizar e utilizar frota de estoque nos terminais e garagens.

Muitos profissionais ainda não foram liberados por seus patrões para que pudessem fazer o isolamento social recomendado pelo governo do estado. “Estou trabalhando normalmente. A previsão é de que, a partir do dia 31, todos os funcionários do escritório onde eu trabalho entrem de férias. Enquanto isso, continuo pegando metrô e ônibus lotados para chegar ao trabalho, no Pina”, comenta a assistente jurídica Haryadine Passos, 28, que mora no Curado 3 e utiliza a Estação Rodoviária e o Terminal de Joana Bezerra todos os dias.

Precisando circular na cidade, muitos passageiros utilizam máscara para terem alguma proteção, mesmo sem sintomas. “Por estar gestante, prefiro me proteger do jeito que posso. Além da máscara, tenho álcool em gel na bolsa e lavo sempre as mãos. Só saio de casa para ir a consultas médicas e exames”, comenta a estudante Kalinne de Cássia, 22, que está com oito meses de gravidez e usa o transporte público para continuar o pré-natal. “Normalmente, os ônibus são bem mais cheios. Com o fechamento dos shoppings, percebo que os terminais estão mais vazios”, comenta.

A determinação considera acúmulo as filas com número superior a 30 passageiros nas linhas que operam com ônibus convencionais e, naquelas que operam exclusivamente com BRT ou veículos articulados, superior a 45 passageiros. Desde a última semana, os operadores já atuam sob plano de contingência, a fim de garantir, especialmente no horário de pico, disponibilidade de veículos suficientes para evitar aglomerações.

Na segunda (23), primeiro dia útil após o fechamento do comércio, a demanda do sistema foi mais de 70% abaixo dos dias convencionais. Desde a semana passada, a higienização dos ônibus e terminais integrados foi intensificada para evitar a o novo coronavírus.

METRÔ
O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região revogou liminar expedida por um magistrado da Casa e decidiu que o Metrô do Recife continuará operando normalmente. O TRT-6 definiu que a CBTU siga distribuindo o material de proteção individual para os empregados, como álcool em gel, máscaras e luvas. A liminar havia decidido pela liberação das catracas e acesso apenas a profissionais de saúde, segurança e outros serviços essenciais.