Passageiros seguem expostos ao coronavírus Em terminais e nos ônibus, distância entre usuários nem sempre é respeitada. Grande Recife Consórcio afirma estar fazendo ajustes

ANA CAROLINA GUERRA
carol.guerra@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 23/05/2020 03:00

A fila é reta e não há marcações no chão. Em alguns casos, os usuários já não respeitam mais as recomendações de distanciamento de, pelo menos, um metro entre as pessoas. A tentativa de evitar aglomeração se desfaz quando o ônibus chega ao ponto de embarque e todos os passageiros se amontoam para conseguir uma vaga no coletivo. Este é o cenário do Terminal Integrado da Macaxeira, localizado no bairro de Dois Irmãos, Zona Norte do Recife, por onde circulam 14 linhas de ônibus.

No desembarque dos passageiros há um grupo de policiais militares que atua na fiscalização dos usuários que chegam no terminal. Nem todas as pessoas que utilizam os coletivos durante o isolamento social prestam serviços essenciais. É o caso do vendedor de roupas e calçados Pedro Augusto, de 26 anos, que circula por, em média, três terminais diariamente para entregar encomendas aos clientes.

“Eu saio de casa às 5h40 e volto para casa por volta das 16h. Passo por vários terminais. Vou do T.I. Pelópidas até Cajueiro Seco, em alguns deles têm fiscalização, outros não. Os ônibus continuam lotados, as pessoas não respeitam as filas. O terminal de Joana Bezerra é o que tem, incomparavelmente, mais aglomerações. Eu venho para os terminais, encontro com o meu cliente e entrego o produto. Só vou para casa quando concluo todas as entregas”, explica.

Para os profissionais de saúde, a preocupação aumenta ao se deparar com situações como a do T.I. Macaxeira. É o caso da Técnica de Enfermagem Karla Kelayne, de 33 anos. Todos os dias eu vejo as filas e os ônibus cheios. Muitas destas pessoas não fazem parte do trabalho essencial. Atualmente, eu estou cuidando de idosos em suas residências, e tenho diabetes. Eu vejo muitos passageiros sem usar máscara e sem levar a sério, isso me deixa extremamente preocupada porque eu também estou correndo riscos”, confessou.

Orientações
Em nota, o Grande Recife Consórcio de Transportes informou que vem acompanhando a operação e fazendo os ajustes necessários para evitar aglomerações nos terminais integrados e circulação de passageiros em pé nos ônibus. “Embora ocorra algumas aglomerações no ponto final das viagens e em horário de pico, o Grande Recife tem cobrado das empresas operadoras o cumprimento das determinações e orientado para que não se realizem embarques nas paradas quando o ônibus tiver capacidade máxima atingida. E pede apoio e compreensão dos usuários de só embarcarem sentados ao longo do corredor”, diz o comunicado.

Já o Ministério Público de Pernambuco afirma que a Promotoria de Justiça de Transportes instaurou, na última segunda-feira, um procedimento administrativo de acompanhamento de políticas públicas com o objeto de investigar “a redução da oferta do serviço de transporte público na RMR em virtude das medidas restritivas no enfrentamento da pandemia da Covid-19; indisponibilidade do serviço em algumas linhas da RMR; e excesso de passageiros em outras linhas”. A assessoria do MPPE ainda afirma que o promotor de Justiça Humberto Graça remeteu ofícios ao presidente da Urbana-PE, Fernando Bandeira, e ao diretor-presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte, Erivaldo dos Santos, para que apresentem providências adotadas.