Superdotado à espera de um celular Dono de habilidades excepcionais, estudante de 12 anos não tem um aparelho que lhe dê condições para estudar durante a pandemia e a família é pobre

MARCIONILA TEIXEIRA
marcionila.teixeira@diariodepernambuco.coom.br

Publicação: 22/05/2020 03:00

Mente brilhante. Superdotado. Capaz de desenvolver habilidades muito acima das esperadas para a idade. Davi Fernandes da Silva, 12 anos, até já apareceu em programa de televisão e matéria de jornal por conta de suas características, vistas como extraordinárias. O mesmo Davi agora é um dos estudantes do país diretamente afetados com a suspensão das aulas presenciais durante a pandemia do novo coronavírus. Ele participa de aulas virtuais todas as manhãs. Filho de uma família sem muitos recursos financeiros, usa um celular antigo, cuja bateria está “viciada”. O aparelho precisa sempre estar ligado na tomada, o que não é recomendado, por motivos de segurança. O telefone esquenta muito e Davi teme uma explosão.

Davi cursa o nono ano em um tradicional colégio particular do Recife. Ganhou bolsa de estudo de 100%. Com altas habilidades, ele está entre os 13.308 superdotados do Brasil identificados pelo Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). A mãe de Davi, a faxineira Conceição Oliveira, conta que, aos dois anos, ele começou a ler sozinho. Aos cinco anos, leu toda a Bíblia.

Também “pulou” três séries. Chamava atenção dos pais ao montar estruturas complexas de Lego em menos de cinco minutos. Pessoas superdotadas têm avançado pensamento lógico, rápida memorização e facilidade para se comunicar. A alta habilidade pode se dar no talento musical apurado, na facilidade para desenhar ou mesmo ter raciocínio matemático muito rápido.

A mãe é faxineira e está com serviços suspensos por conta da pandemia. O pai é técnico em química, mas está desempregado. A família, formada pelos três apenas, está sobrevivendo com o auxílio emergencial do governo federal. Agora e nos próximos meses, os pais do garoto não têm condições de comprar um aparelho ou notebook para Davi.

Davi ganhou o aparelho de uma colega do colégio. Ela tinha comprado um novo e repassou o usado a ele. O celular tem cerca de cinco anos de uso, calcula o garoto. Por isso, vem apresentando defeito. Davi, na verdade, nem acha que as condições do celular atrapalham o aprendizado dele. Mas uma amiga da família resolveu fazer uma campanha para conseguir um celular ou mesmo um notebook para Davi acompanhar as aulas com mais conforto.

“O celular já tem três anos de uso na mão dele. Com a colega, já estava há dois anos. Tá esquentando mais que ferro de passar”, comenta o pai do garoto, Deibde Severino Fernandes, 37. A mãe do estudante, Maria da Conceição Costa de Oliveira, 33, costumava fazer até três faxinas por semana. Era contratada por mães de alunos da mesma escola onde o filho estuda. “Eu fiz um teste para uma vaga, mas suspenderam tudo por causa da pandemia”, diz Deibde.

Aos 12 anos, Davi tem uma ideia para facilitar o aprendizado durante a pandemia. Ele fala de alunos com mais dificuldade que ele, que nem sequer têm acesso à internet ou celular. Onde a situação é realmente limitante. “Eu acho que para quem não tem aparelho, deveria ter um professor que desse aula para grupos de até três alunos. Tenho colegas que não recebem a notificação das aulas porque têm problemas de conexão”, reflete.

Além das aulas no colégio particular, Davi tem aulas de robótica em uma escola da Prefeitura do Recife - suspensas por conta da pandemia - e de inglês em um projeto da Universidade de Pernambuco, também suspensas. O garoto mora em Paratibe, Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

Serviço

Quem puder ajudar Davi pode entrar em contato com sua mãe, Conceição, pelo telefone 99720—4867