Trabalho dobrado para compensar perdas com suspensão do Carnaval Tapioqueiras do Alto da Sé estão apreensivas por não terem os quatro dias mais lucrativos do ano em 2021

Felipe Pessoa
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Publicação: 13/01/2021 03:00

A exatamente um mês do Sábado de Zé Pereira, data que dá início às comemorações de Carnaval, comerciantes e turistas estão aprendendo a conviver com uma Olinda diferente este ano. Com o anúncio da suspensão dos festejos de Momo desde dezembro do ano passado, muita incerteza ainda toma conta de quem tem na folia uma oportunidade de lucrar mais do que no resto do ano.

No Alto da Sé, o movimento era um pouco menor do que o normal para o mês de janeiro, ontem à tarde. Figuras tradicionais do local, as tapioqueiras sentem o impacto da pandemia nas vendas e no movimento. Ana Paula Santos, comerciante na Sé há mais de trinta anos, tenta compensar o prejuízo com mais dias de trabalho. “Eu não pensei ainda como é que vai ser este ‘tiro’, sem a gente trabalhar no Carnaval. Estou trabalhando todos os dias agora neste mês de janeiro para ver se vai suprir”, conta.

Maria José, a Zeinha, trabalha no Alto da Sé diariamente há 49 anos. Perto de cowmpletar 81 anos, a comerciante conta que teme os prejuízos trazidos pelo cancelamento da programação de Carnaval. “Para tirar o prejuízo vai ser ruim”, confessa. Mesmo assim, a tapioqueira não perde a esperança de viver dias melhores. “Com a vacina, melhora”, torce.

Acostumada com carnavais agitados e lucrativos, a comerciante Maria Josefa, 75, amarga o movimento fraco de clientes. Há quarenta anos vendendo lanches, ela confessa temer os meses incertos, mesmo depois do Carnaval. “Só Deus sabe”, conta.

Boa impressão

Para os turistas, a impressão era positiva. O amazonense Fábio Hayden, 47, desembarcou pela segunda vez em Pernambuco, e notou logo a redução no número de pessoas em Olinda. O administrador, que veio com a família para aproveitar os pontos turísticos do município, lamenta que não haja a comemoração tradicional do Carnaval, mas torce pela volta dos festejos. “Na primeira oportunidade, eu venho para o Carnaval”, diz.

Paranaenses de Foz do Iguaçu, os empresários Larissa Campos, 32, e Rafael Vilanova, 34, curtiam o primeiro dia em Olinda. Em meio ao movimento no local, os turistas contam que, quanto às medidas de prevenção contra a Covid-19, se sentiram protegidos em solo olindense. “Eu me senti mais segura aqui do que no Paraná”, afirma a empresária. Animados com o que encontraram em Olinda, o casal confessa que, se não fosse a pandemia, já estariam prestes a “comprar a passagem para voltar, com certeza”.

Prevenção
Apesar dos apelos de governantes e especialistas, uma parte da população ainda resiste em adotar medidas de prevenção, como o uso de máscara e álcool em gel. Com novos picos recentes no número de casos em Pernambuco, quem depende de vendas para sobreviver teme ter de fechar as portas novamente e amargar um prejuízo ainda maior.

Para a tapioqueira Ana Paula, a resistência de alguns pode custar caro. “O meu apelo é que as pessoas venham, façam seu passeio, mas venham conscientes, venham de máscara, para não nos prejudicar. Sendo um ponto de aglomeração, a gente corre o risco de fechar”, afirma.