Confirmado segundo caso de superfungo Laboratório de São Paulo registra outra presença oficial do Candida auris no Hospital da Restauração, no terceiro surto do patógeno, que pode ser fatal

Publicação: 14/01/2022 03:00

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou, ontem, que foi confirmado o segundo caso do superfungo Candida auris no estado, a partir de análise laboratorial feita pelo Laboratório Especial de Micologia da Escola Paulista de Medicina (LEMI - Unifesp). Trata-se da mulher de 70 anos, admitida no Hospital da Restauração (HR) em 24 de novembro do ano passado por questões neurológicas. Ela esteve internada na UTI da unidade e teve o exame de urina sugestivo para o fungo em 30 de dezembro. A paciente estava colonizada pelo micro-organismo, porém não apresentou infecção por ele – o exame de hemocultura (do sangue) não tinha a presença do fungo. Ela morreu no último dia 5, por problemas provocados pelo seu diagnóstico de entrada, não pelo fungo.

Na última quarta-feira, já tinha sido divulgado o primeiro caso confirmado para o fungo, em um homem de 38 anos. Ele foi admitido na emergência de traumatologiado Hospital da Restauração no dia 21 de novembro de 2021, recebendo a assistência e evoluindo para cura, com alta em 30 de dezembro.

Há, ainda, um terceiro caso em investigação. Trata-se de um homem de 46 anos, também admitido pela emergência de trauma do HR, em 13/12/21, por outra causa. Está em UTI e sem nenhum sintoma relacionado ao fungo. O exame laboratorial sugestivo da unidade hospitalar saiu na última terça (11/01/22). Essa amostra será analisada pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), além do LEMI - Unifesp.

O fungo, de ocorrência hospitalar, pode causar infecção de corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo ser fatal, principalmente em pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda não se sabe o mecanismo de transmissão, acreditando-se que é por meio de contato com superfícies ou equipamentos contaminados. O órgão emitiu, em 2017, um comunicado orientando sobre a vigilância laboratorial de Candida auris no Brasil, que teve seu primeiro caso confirmado em dezembro de 2020, na Bahia. O tratamento vai depender da avaliação médica e do grau de infecção.

A SES-PE reforça que as ações de monitoramento estão sendo realizadas pelo serviço de saúde juntamente com a Apevisa, Lacen PE e BA, Laboratório de Micologia da Escola Paulista de Medicina, Anvisa e os Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde.