HOMENAGEM » O herói que salvou o Recife, há 37 anos

Luís Antonio Cardoso
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Publicação: 13/05/2022 03:00

A Marinha brasileira homenageou, ontem, em frente ao Terminal Marítimo do Recife, Nelcy da Silva Campos, prático da barra, que, há 37 anos, impediu que o Recife Antigo fosse atingido por uma tragédia semelhante à explosão de 2020 no Líbano. “Ele teve a coragem que eu não tive. Foi movido por uma força interior inexplicável. E teve muita sorte, pois nada deu errado. Um exemplo de heroísmo”, afirmou o amigo e também prático Luiz Augusto Correia. O herói que nem todos conhecem, embora um busto esteja em exibição no Marco Zero, morreu em 1990.

Na madrugada de 12 de maio de 1985, o Bairro do Recife estava prestes a se tornar palco de uma tragédia. À noite, o navio petroleiro Jatobá, carregado de gás butano pegou fogo. Próximos à embarcação havia outros dois navios também carregados com gases inflamáveis, o Barão de Rio Branco e o Poween Agrata. O fogo se alastrou rapidamente.

Além do incêndio acontecendo no Porto do Recife, o perigo maior era que as chamas chegassem ao Parque de Tancagem do Brum, localizado a menos de 500 metros do Jatobá. O local era depósito de combustível das principais empresas que abasteciam Pernambuco. De acordo com os técnicos da época, uma explosão seria catastrófica, destruindo tudo num raio de cinco quilômetros, incluindo os bairros do Recife, Santo Antônio, Boa Vista, Brasília Teimosa e Pina.

Os bombeiros foram acionados por volta da 1h30 da madrugada. Pelo risco de explosão, o Bairro do Recife passou a ser evacuado. Em meio a esse caos, o prático da barra Nelcy sugeriu que a melhor solução era rebocar o navio para longe do porto. Responsável pelo manuseio das embarcações, ele chamou para si mesmo a responsabilidade.

Ele afastou as outras embarcações e amarrou um rebocador à parte dianteira do navio em chamas, levando-o para uma distância de seis quilômetros. A natureza fez o resto: um forte temporal caiu, apagando o fogo. “Meu avô deixou para a sociedade uma mensagem de altruísmo e heroísmo, de dar a vida pelo próximo, o que é muito raro hoje em dia. Nos esforçamos para resgatar esses valores”, disse Kléber Freire, neto do herói.