Prêmio a filme sobre aborto Longa da franco-libanesa Audrey Diwan conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, depois de gerar controvérsia entre o público pelas cenas fortes

Publicação: 14/09/2021 03:00

Baseado no romance homônimo da escritora francesa Annie Ernaux, o filme L’Événement, da franco-libanesa Audrey Diwan, se passa nos anos 1960 e conta a história de Anne (Anamaria Vartolomei), uma estudante promissora que tem o destino atravessado por uma gravidez. Diante das obrigações estudantis, ela decide recorrer ao aborto clandestino e sofre as consequências da decisão, como o abandono de médicos, amigos e do próprio pai da criança. O longa foi o grande vencedor do Festival de Veneza, ao conquistar o Leão de Ouro no último sábado.

Durante o festival, o filme gerou controvérsia por trazer a pauta do aborto para o centro do debate e mostrar uma longa sequência em que Anne realiza o procedimento. “Foi difícil fazer esse filme. Infelizmente sabemos que o que ele mostra ainda acontece muito no mundo”, declarou a diretora ao receber o prêmio. Diwan é a sexta mulher na história a ganhar o troféu, se juntando a Margarethe Von Trotta (1981), Agnés Varda (1985), Mira Nair (2001), Sofia Coppola (2010) e Chloé Zhao (2020).

A conquista também é histórica porque marca o segundo ano consecutivo que o prêmio é concedido a uma obra dirigida por uma mulher. Em 2020, o Leão de Ouro foi para Nomadland (2020), de Zhao.

O Grande Prêmio do Júri foi dado ao filme A mão de Deus, drama autobiográfico de Paolo Sorrentino produzido pela Netflix. A produção mostra um jovem em Nápoles na década de 1980, quando Diego Maradona jogou na cidade e se tornou uma figura mitológica para seus habitantes. O ator Filippo Scotti, que interpreta o alter ego de Sorrentino no filme, recebeu o prêmio dado a intérpretes em início de carreira. Penélope Cruz foi eleita melhor atriz por Madres paralelas, de Pedro Almodóvar. Já o filipino John Arcilla recebeu o prêmio de melhor ator por On the job.