As andanças de Itapetim ao mundo Exposição Fluxo fantasia, na Torre Malakoff, apresenta um passeio por mais de duas décadas de intensa produção do multiartista Guilherme Patriota

Rostand Tiago
rostand.filho@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 14/01/2022 03:00

O multiartista pernambucano Guilherme Patriota possui trajetória marcada pelas andanças desde a saída de casa ainda aos 14 anos em Itapetim, Sertão do Pajeú, ao percorrer o Nordeste, a América Latina e o mundo em um processo contínuo de formação artística. São caminhos que resultaram numa infinidade de obras criadas ao longo de duas décadas, passando por diversas linguagens, estilos e temáticas, das videoartes pautadas pelos lugares e pelas pessoas que conheceu, das fotografias urbanas e dos desenhos que abraçam o nanquim e a explosão de cores. Recortes significativos desses passeios estarão em exibição a partir de amanhã na exposição Fluxo fantasia, que ocupará o primeiro andar da Torre Malakoff, no Bairro do Recife.

“É uma exposição baseada no meu percurso de vida, na qual trabalhamos muito a questão da fluidez, já presente no título. É um apanhado que surge a partir do meu próprio apanhado cultural, das minhas leituras, dos meus filmes, das minhas vivências sociais, dos locais que vivi e dos personagens que encontrei. É algo simples, mas ao mesmo tempo complexo, tudo imbricado nesse trabalho curatorial que foi realizado”, diz Guilherme. O projeto conta com curadoria de Laura Sousa e Renata Pimentel, que mergulharam em um acervo de mais de mil trabalhos para reunir 42 desenhos, 75 fotografias e dois vídeos artísticos.

No ano passado, Patriota inaugurou a exposição online Os descamisados ou releituras indecentes de uma história da arte mal contada, com 31 desenhos, que agora podem ser contemplados fisicamente na primeira exposição individual do artista. Com a instalação em quatro salas da Torre, o público poderá ter uma fruição diferente do trabalho, podendo acompanhar o movimento proposto pelos diferente suportes, como a série de fotografias Recife Mobille, produzida com smartphones pelas ruas da capital, ou os vídeos produzidos com materiais de suas viagens, envoltos pelo conceito temático que batizou de “Gentelugar” e “Lugargente”.

“A exposição começa a ser pensada por Laura, que me acompanha desde 2016, e foi realizada com a junção de Renata, duas mulheres inteligentíssimas que possuem uma visão muito bacana de mundo e que foram observando minha atitude e analisando o material que eu tinha. É muito doido isso para mim, porque é muita coisa produzida, mas com ela já montada, você vê como elas foram muito felizes em traçar esse percurso proposto”, afirma. “Eu vejo e sinto minha memória afetiva e artística, de um processo que vem desde 1999, passando pela minha frente, dos cantadores de viola do Pajeú, da Europa, do Recife e da minha família.”

Agora, a exposição artística dessas andanças vem em um momento único na história do mundo na restrição de andanças e mobilidade. A partir desse contexto, Guilherme acredita que sua exposição acaba por tornar plena uma função da arte de propor outros cenários de  vida e perspectivas para um futuro que o mundo volte a ser dinâmico como era. “Um dos papéis da arte é deslocar você para uma outra realidade, que às vezes não é aquela que você não está podendo buscar. Acredito que uma exposição que tem esses conceitos sobre deslocamentos pode trazer algum alento e esperança para as pessoas ou até mesmo um processo de educação sobre o que estamos vivendo.”

A exposição fica aberta até 30 de março, com visitação de terça a sexta, das 11h às 17h, e sábados e domingos, das 14h às 17h, com entrada gratuita e obrigatoriedade do cartão de vacinação.