Sátira à era de ouro do terror Pânico 5, em cartaz nos cinemas, celebra o legado do criador, o falecido Wes Craven, e revitaliza franquia de terror de grande sucesso agora para nova geração

Publicação: 14/01/2022 03:00

Há 25 anos, Pânico, liderado por Neve Campbell e Courteney Cox, revitalizou o terror com sua visão autoconsciente do gênero, que estava cada vez mais estereotipado e sangrento. Nesta semana, o capítulo mais recente da franquia, estrelado novamente pela dupla, chegou aos cinemas com o mesmo visual, mas agora para mostrar sua visão de um gênero que tomou outro rumo.

Assim como no filme original de 1996, os personagens do novo Pânico passam boa parte da trama discutindo clássicos do terror, tentando adivinhar qual deles será o próximo a ser morto. Eles então percebem que o alvo da última onda de ataques em sua cidade na Califórnia são pessoas ligadas aos assassinos originais.

Um dos personagens explica a atração que o novo público sente pelos “requels”, filmes que relançam as franquias com um elenco mais jovem ligado aos protagonistas originais. Diante dos olhares atentos de seus coadjuvantes mais jovens, o ator David Arquette, também de volta para esta produção, adverte: “Existem certas regras para sobreviver, acredite, eu sei”.

O filme também visita cenários que marcaram a franquia. Começa com uma cena que evoca a morte rápida de Drew Barrymore no original, ao receber uma ligação do assassino no telefone fixo antes dos créditos iniciais do filme aparecerem.

Embora os diretores quisessem aproveitar a oportunidade para produzir uma “carta de amor” ao falecido Wes Craven, que dirigiu todos os quatro filmes da franquia, Tyler Gillett (que assina a direção com Matt Bettinelli-Olpin) disse que esta parte não poderia ser “apenas nostalgia”.

Ao contrário do original, que surgiu quando o terror slasher estava perdendo força - marcado pela presença de um personagem que assassina brutalmente jovens -, o novo Pânico surge em um momento em que emerge um novo terror artístico, com consciência social, do diretor Jordan Peele.

Os personagens do filme discutem pomposamente a apreciação pelo gênero, mencionando filmes como O Babadook, Hereditário, bem como Corra!, de Peele. Uma coisa que não mudou é o elemento de suspense, de identificar quem é o assassino por trás da distintiva máscara branca que emula um fantasma. (AFP)