Para expandir o imaginário de circo A Cia Devir apresenta o Experimento VI: Isso (não) é um número de circo, neste sábado, com inauguração de novo espaço cultural no bairro da Encruzilhada

Rostand Tiago
rostand.filho@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 13/05/2022 03:00

Uma dos principais grupos experimentadores da linguagem circense no Recife, a Cia Devir, formada por Vitor Lima e João Lucas Cavalcanti, volta a levar seu trabalho para um contato próximo de seu público, após dois anos de iniciativas remotas. Além de apresentar o Experimento VI: Isso (não) é um número de circo, neste sábado, eles também inauguram seu espaço próprio, no bairro da Encruzilhada (Rua Olga, 71), Zona Norte do Recife. O evento, que contará ainda com um bate-papo com a plateia, acaba sendo uma coletânea das experimentações anteriores que a Devir vem realizando com o aparelho multicordas, explorado pela dupla como uma forma de expandir o imaginário sobre circo, técnica e cena.

“Nossa proposta de cena está bem presente, trazendo uma confusão sobre essa ideia tradicional do número, de início, meio e fim, que geralmente também são bem curtos e com bastante técnica. O circo é uma linguagem pouco vista, muito atrelado no imaginário à ideia da lona e do palhaço. Nosso trabalho segue caminhos diferentes disso, brincamos com isso de ‘o que é circo?’”, relata João Lucas.

A escolha do multicordas, aparelho que se assemelha a uma cortina de cordas, foi pelas possibilidades de experimentações técnicas e estéticas, em especial no trabalho de portagem (com um artista sustentando o peso do outro). “O circo é a arte do risco, seja ele físico mesmo, mortal, mas também o risco da cena, onde tudo se mistura e podemos fazer experimentações. O multicordas, por ser uma parede com muitos apoios, traz muitas possibilidades para o trabalho que desenvolvemos”, relata Vitor.

Neste sábado, às 16h, o público poderá entrar em contato com essa experimentação, que também parte de uma troca com princípios da linguagem teatral, como a ideia de personagem. Também incorpora muitos aspectos autobiográficos da dupla, fazendo o circo ser um espaço não só de apresentar o extraordinário que o corpo humano pode realizar, mas também de se contar e expressar coisas da vida humana. “Nos interessamos por essa dualidade, na qual podemos realizar coisas extraordinárias a partir da técnica, mas que também é capaz de trazer vulnerabilidade e humanidade para a apresentação”, conclui João Lucas.