Ciência e Saúde

Rede social atrai médicos Profissionais de saúde se popularizam com perfis no Instagram e Facebook e ajudam a propagar informação de qualidade na internet

texto: Alice de Souza | alice.souza@diariodepernambuco.com.br

Publicação: 31/03/2018 09:00

Memes descontraídos, gifs animados, sequências de stories coloridos e muitos emojis. A linguagem é acessível, como pede a internet, mas o assunto é sério: a saúde. Cada vez mais médicos têm utilizado as ferramentas de redes sociais para se comunicar com os pacientes. Os profissionais da medicina descobriram no Instagram, Facebook e afins uma nova maneira de exercer o objetivo maior da profissão, cuidar das pessoas. A prática tem se convertido em uma forma de combate à fragilidade das informações na web, mas, por outro lado, requer o cumprimento de uma série de regras.

Catorze mil curtidas. Treze mil compartilhamentos. Onze mil comentários. Os números dignos de qualquer influenciador digital são, na verdade, de uma postagem sobre as mudanças que a maternidade provoca no cérebro da mulher. O assunto técnico, fruto de um estudo científico publicado na revista Nature, ganhou contornos de curiosidade na página O Meu Pediatra e viralizou. A ideia foi do pediatra Reginaldo Freire, que ingressou nas redes há pouco mais de um ano. “Na nossa sociedade atual, as redes sociais permitem levar a informação para mais gente e de um jeito mais rápido. Decidi criar os perfis em função das dúvidas recorrentes dentro do consultório”, conta.

Reginaldo descobriu nesse elo com o paciente uma diversão. Baixou aplicativos e foi buscar informações sobre como se comunicar nas redes. É ele quem edita os vídeos, faz as montagens e coordena as postagens. Tudo sem organograma, entre consultas, salas de parto, mestrado e outros afazeres. No Faceboook, tem 33 mil curtidores. No Instagram, são quase 40 mil seguidores. A meta dele é disseminar conteúdo empoderador. É assim que também enxerga o obstetra Thiago Saraiva, que acumula 7 mil seguidores no Instagram. Ele começou a mesclar postagens pessoais com profissionais com maior intensidade há cerca de quatro anos. É um dos responsáveis por fomentar o debate e os esclarecimentos sobre parto humanizado na rede. Thiago geralmente faz as postagens quando chega em casa ou nos intervalos, sempre que recebe uma dúvida pertinente ou vê algum estudo. É mais adepto da instantaneidade dos stories (fotos e vídeos postados no Instagram que ficam disponíveis por curto período de tempo). “Nunca tive medo da exposição e vejo as redes como ferramentas importantes na busca por informação”.

É o que também defende o nutrólogo Eduardo Magalhães, o @dr.saude. Nas redes há cinco anos, por uma brincadeira, ele aposta nos conteúdos sobre alimentação e qualidade de vida saudável. “Gosto de saber que  estou educando as pessoas, me sinto bem em passar as informações”, diz. Com as páginas na internet, todos eles acabaram ganhando visibilidade, o telefone do consultório passou a tocar mais. Mas, em uníssono, eles garantem que o objetivo não é esse.